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  • Juca Kfouri: Minha utopia é um Brasil justo

    Agenda Bafafá em 22 de Maio de 2016    Informar erro
    Juca Kfouri: Minha utopia é um Brasil justo

    Juca Kfouri começou a profissão de jornalista quase que por acaso. Em 1970, ao terminar o curso de ciências sociais na Universidade de São Paulo, foi convidado a trabalhar no departamento de documentação da Editora Abril. Quatro anos depois assumia a chefia de reportagem da Revista Placar. Seu sucesso editorial acabou levando-o para outra vertente do mercado ao assumir a direção da Revista Playboy. Sua ascensão não demorou. Virou comentarista da TV Globo e colunista dos jornais Folha de S. Paulo e O Globo.  Juca mantém intensa atividade comandando um programa esportivo na Rede TV e na Rádio CBN, além de coluna no Jornal O Lance.

    Crítico mordaz da cartolagem que assola o futebol brasileiro garante que “não há quem resista ao trio Teixeira-Caixa D'Água-Eurico”. Juca revela para o Bafafá o que seria seu modelo de campeonato se ocupasse a presidência da CBF: 20 times em turno e returno, pontos corridos, com queda e acesso de quatro clubes, e jogos só nos finais de semana.

    Você se formou em ciências sociais e acabou jornalista, como foi este "acidente de percurso"? Coisas da vida. No primeiro ano da pós-graduação, um convite para deixar o Dedoc - o departamento de documentação da editora Abril - para assumir a chefia de reportagem da Placar, me fez ver que o vírus do jornalismo já estava inoculado. Não resisti. Larguei a pós e cai na vida.

    Durante a ditadura você militou no PCB e na ALN? Chegou a ser preso ou algo parecido? Pela ordem, na ALN e no PCB. Fui preso no dia 7 de setembro de 71 e levado, com minha mulher, para o DOI-CODI. Nunca tinha passado e nem voltei a passar nada parecido. Não recomendo.

    O que ficou do período militar no Brasil? A certeza absoluta de que nenhuma ditadura é boa.

    O que acha de ser chamado de jornalista esportivo? Uai! Como é que você queria que me chamassem? De jornalista econômico? Mas, entendi... Não me incomoda nada, embora eu seja jornalista e ponto.

    Você já passou pelas principais redações de rádios e TVs do país. Qual a que mais te marcou? Rádio, na verdade, só passei --e estou passando e quero passar mais -- pela CBN, que é um grande barato, uma experiência que eu deveria ter feito muito antes. Em TV a passagem que mais me dá saudade foi no Cartão Verde, da Cultura.

    Como foi sua experiência à frente da revista Playboy? Nos dois primeiros anos, muita dor pela morte do Mário Escobar de Andrade, a quem substitui, e muitas dúvidas sobre se eu queria estar lá.  Já nos dois últimos anos, vivi o período mais gostoso da minha vida profissional dentro da Abril, porque a redação era do cacete.

    Apesar de ganharmos a Copa do Mundo o nosso futebol anda em baixa. Ao que atribui isso? A Copa deve ser atribuída aos melhores jogadores do mundo. O resto aos piores cartolas do mundo.

    E o futebol carioca? Como quase sempre, o Rio chega primeiro ao fundo do poço para depois dar o exemplo de reação. Mas está demorando, concordo. Não há quem resista ao trio Teixeira-Caixa D'Água-Eurico.

    O que acha de Eurico Miranda? O mesmo que a esmagadora maioria do país acha...

    O que faria se fosse presidente da CBF? Organizaria um Campeonato Brasileiro com 20 clubes na primeira e na segunda divisões, com turno e returno e pontos corridos, com queda e acesso de quatro clubes, com jogos só nos finais de semana. Manteria a Copa do Brasil como está, faria a Libertadores concomitantemente com a Copa Sul-Americana. Distribuiria dinheiro para os clubes e manteria a Seleção em atividade porque o calendário seria muito mais racional, adequado, diga-se, ao calendário mundial.

    Qual avaliação faz do governo Lula?  Ainda não começou para valer, espero.   E a política esportiva? Também está devendo, principalmente no que diz respeito à massificação do esporte. O Estado não tem de se preocupar com esportes de alto rendimento, pelo menos não pode priorizá-los. Avanço mesmo, sem dúvida, foram a Lei de Moralização e o Estatuto do Torcedor, dois gols passados pelo governo FHC e feitos pelo governo Lula.

    Tem alguma utopia? Mas é claro. A de ver um Brasil justo.

    Alguma mensagem otimista? Como Gramsci: pessimista na análise, otimista na ação. Desesperar jamais!

    Novembro de 2003



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