Em pouco mais de um ano de gestão, o diretor do Museu da República Mario Chagas transformou a instituição num espaço alegre e cultural com eventos e projetos que prometem dar mais segurança e conforto ao público. Professor de Museologia da UNIRIO, poeta, doutor em Ciências Sociais e um dos criadores do IBRAM – Instituto Brasileiro de Museus, Mario Chagas fala com exclusividade ao Bafafá. Ele nos conta que o museu é indicado até pelos médicos para curar a depressão. “O nosso Museu tem potencial de cura, o que é extraordinário”.
Na entrevista, ele faz um balanço das ações e enumera os projetos em vista. Mario declara que está aberto à participação da iniciativa privada para a restauração de equipamentos e instalações e que sua utopia é reformar todo o Palácio até o término de sua gestão em 2021.
Em um ano você revolucionou o Museu da República?
Nós buscamos olhar para a história do palácio. No século 19 era um lugar de festas e recepções, saraus, frequentados até por Reis. Retomamos a tradição ao dar vida ao Museu com atividades como música, feiras de moda, eventos gastronômicos, exposições, debates, cinema e muito mais. As pessoas me param na rua para elogiar. Deu vida ao bairro. Até os médicos estão recomendando passear no Museu da República para sair da depressão. O nosso Museu tem potencial de cura, o que é extraordinário.
Já estão com o calendário cheio?
Sim, para o ano todo. Mas, sempre estamos abertos a projetos interessantes que sejam principalmente autossustentáveis.
Quartas e domingos, a entrada é de graça?
Correto, basta chegar e curtir a história deste prédio centenário. Nas terças ele fica aberto até 22h. Na última terça do mês acontece a “Terça-Feira Republicana” que debate temas sobre a República.
Quais são os dias da Seresta?
A Seresta é de terça a domingo (terça a sexta das 17h às 21h), sábados e domingos à tarde e de manhã aos domingos.
O horário de funcionamento do Museu é bem flexível?
Ele é dividido em três partes: abre às 08h e às 18h fecha o fundo do parque. A parte da frente fica aberta até 22h. Ambas abrigam a seresta que termina 21h e o cinema às 22h todos os dias da semana. Em outras datas especiais usamos o que chamamos o meio do museu onde tem auditório e salas.
E a programação?
Aumentamos muito a programação. Hoje são mais de 20 eventos por mês. Temos o Sarau de Meio Dia, no auditório, com música clássica e que está bombando. Abrimos uma exposição sobre memes na política, “A Política dos Memes”. Temos feito também muitos lançamentos de livros. O Museu é hoje um polo cultural expressivo da cidade do Rio de Janeiro. No dia 20 de julho vamos ter um festival chamado “Oeste-se”. Vamos acolher jovens artistas da Zona Oeste. Programamos ainda eventos para crianças e para os mais velhos.
Qualquer um pode apresentar projetos ao Museu?
Sim. Temos uma equipe que analisa as propostas de espetáculos, exposições, shows e, sendo viável, a gente faz. Temos uma infraestrutura, mas não verba. O projeto tem que ser autossustentável.
E a Seresta? Confere que vai virar livro e exposição?
A Seresta tem mais de 20 anos. Seus frequentadores são cativos e tudo no museu gira em torno dela. O livro está em final de redação pela pesquisadora Maria Helena Versiani e estamos buscando parceria até para um filme. A exposição será no segundo semestre.
Você conseguiu verba para recuperar a parte elétrica?
Conseguimos uma verba de R$ 971 mil reais para fazer a reforma elétrica do anexo 1 e 2. Vamos trocar a fiação inteira, será uma operação “caça gambiarra”. Temos também o projeto executivo de combate a incêndio e pânico. Está na fase de aprovação no Corpo de Bombeiros e IPHAN. Terá indicações para extintores, detectores de fumaça, mangueiras novas, novos para-raios, alarmes para todas as instalações do museu. Sai este ano ainda. Outra frente é a manutenção do jardim, os eventos e o planejamento para receber mais público.
A reforma global do museu custará em torno de R$ 15 milhões. Essa verba nós vamos atrás.
Esses eventos trazem renda?
Eles trazem contrapartidas. Serviços e não dinheiro. A TV Globo filmou aqui e vai restaurar a gruta que está interditada com perigo de queda. Nós indicamos as empresas, eles selecionam e pagam. Desta forma reformamos quatro salas e o auditório com verba de contrapartida. Com serviços e equipamentos.
Pode fotografar no Palácio?
Se tiver finalidade comercial tem custo, inclusive casamentos. Existe uma instrução normativa e as taxas geram uma GRU que vai para os cofres do Estado.
Quantos funcionários você tem?
Saíram mais de 40 funcionários nos últimos anos. Hoje temos 90 terceirizados e 40 do corpo técnico. Estou com carência de pessoal.
Não pode correr no Jardim?
Tem muitas crianças e idosos, não pode correr. Também não pode patinete, bicicleta e cachorro.
A varanda corre algum risco?
Na gestão anterior foi escorada e está segura. A nossa prioridade é o palácio como um todo. Queremos um projeto global de restauração.
A iniciativa privada pode participar da restauração?
Até agosto vamos criar a Associação de Amigos do Museu da República. Gostaríamos muito que uma empresa ou hotéis ajudassem a restaurar as grades e portões do palácio, os dois chafarizes e a gruta. Se adotassem o parquinho ajudava muito também. Ou uma empresa que trocasse o asfalto das ruas do jardim. Podemos recapear com asfalto que escoa a água e tapar os buracos que surgem.
Qual é a sua utopia neste Museu?
Restaurar o máximo possível o Palácio na minha gestão até 2021. Tenho consciência que esse Museu pode produzir felicidade. Esse é o nosso foco. Aqui é um espaço seguro na cidade, se a gente puder contribuir com mais felicidade, melhor. Estou convencido que os museus são espaços de poesia, de sonho, de cura. A minha utopia é que seja assim, gerando benefícios sociais.
Entrevista concedida a Ricardo Rabelo, editor do jornal e da agenda Bafafá.
Junho de 2019