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  • Rico de Souza: “O berço do surf brasileiro é o Arpoador”

    Da Redação em 06 de Maio de 2019    Informar erro
    Nascido em 1952, Ricardo Fontes de Souza, o Rico, é um dos surfistas mais respeitados do Brasil. Pioneiro no esporte venceu vários torneios internacionais, sendo inclusive campeão brasileiro em 1972 e 1973, em Ubatuba, tricampeão brasileiro de longboard (1987, 1988 e 1989), vice-campeão mundial de longboard nos jogos mundiais amadores da International Surfing Association (1988) e vice-campeão mundial de longboard no circuito da Association of Surfing Professionals (1989).
     
    Foi ainda fundador da primeira escola de surf no país e lançou a grife Rico de pranchas, roupas e acessórios. Em entrevista ao Bafafá, Rico rememora os primórdios da carreira e do esporte. “Para comprar a minha primeira prancha vendi garrafas, jornais e tampinhas de leite”, lembra. Questionado sobre alguma utopia, não pensa duas vezes. “Minha utopia é ver um Brasil melhor e mais justo”.
     
    Como você descobriu o surfe?
    Eu morava no Leblon, na esquina da Rua João Lira com a praia. Sempre gostei de pescar e pegar jacaré. A primeira vez que vi alguém surfando foi no Arpoador e numa revista chamada Seleções. Aí mostrei pro meu pai e falei que ia ser meu esporte. E foi (riso). Isso apesar dele não gostar de eu pegar onda porque antigamente a imagem do surf não era muito boa, já que o pessoal era cabeludo e não trabalhava. Para comprar a minha primeira prancha, vendi garrafas, jornais e tampinhas de leite. Depois comecei a consertar pranchas e comprei a minha de fibra. Uma das grandes razões que o surf não era bem visto é porque as pranchas não tinham cordinha e machucavam os banhistas.
     
    “Na época da ditadura era proibido surfar no Arpoador”
     
    Confere que era proibido surfar no Arpoador?
    Na época da ditadura era proibido surfar no Arpoador. O surfista perdia a prancha na onda e ela machucava quem estava na praia. Tinha uma portaria que estabelecia que só poderia surfar a 200 metros das pedras. A gente nem sempre respeitava e cheguei a ser preso por causa disso (riso). Era na véspera de eu disputar um mundial e o mar estava enorme. Não tinha ninguém na praia e expliquei a situação para o guarda. Alguns eram flexíveis, outros não. Aí ele falou que se eu tentasse, ele iria chamar o choque. Respondi para que ele chamasse, então, dois “choques”, pois ia surfar de qualquer jeito. Vieram dois caminhões de soldados e tiraram todo mundo de dentro d´água. Eu não saí. Acabei remando até o Sheraton, no Vidigal. Os guardas seguiram a gente e me prenderam. Me chamaram de “dentuço safado” e me puseram dentro do camburão. Acabou não dando em nada. Eu não deixei de surfar, apesar dos militares (riso).
     
    O carioca assimilou rápido o novo esporte?
    Eu comecei em 64 com prancha de madeira, mas tinha gente que já surfava antes. Fui disputar vários torneios nos anos 70, inclusive um no Havaí com passagem doada pelo apresentador Flávio Cavalcanti. Lá vi um cara surfando com uma cordinha e me chamou a atenção. Era amarrada com uma meia ao tornozelo. Achei aquilo uma loucura (riso). Passei a usar também no Brasil e até hoje é indispensável. O carioca assimila tudo, o carioca é bom de chinfra (riso).
     
    E como foi a ascensão do surfe no Brasil?
    Surgiu no Rio de Janeiro, depois foi para São Paulo, para o sul e depois para o nordeste. Hoje todo mundo domina. Mas, o berço do surf brasileiro é o Arpoador.
     
    Quando e onde ganhou o primeiro torneio?
    Fui o primeiro a ir para o Havaí, para a África do Sul e para a Indonésia. Tive ótimos resultados e inclusive ganhei o campeonato de remadas. Na volta, voltei ao lado do Ibrahim Sued e perguntei se ele conhecia alguém que pudesse me patrocinar. Criamos um campeonato no Rio e conseguimos o apoio da TV Globo que nos apoiou. Deu certo e até hoje tenho ótimas relações na emissora.
     
    E quando decidiu parar de competir?
    Até hoje eu compito! Se a onda está boa estou nessa. Há dois anos ganhei um campeonato master para acima de 50 anos em Boca Barranca, na Costa Rica. Surfo onda grande, mas não gigantes (riso). São propostas diferentes.
     
    Como fica o coração de um pai vendo o filho surfar ondas gigantes?
    Meu filho surfa, inclusive em Nazaré, Portugal, tido como um dos locais com as maiores ondas do mundo. O coração fica apertado, mas tem que apoiar, vai fazer o quê? (riso).
     
    Você se considera um desbravador?
    Sou um cara que sempre quis viver do surf e esteve aberto para as oportunidades. Comecei surfando, depois fabriquei pranchas, calções, licenciei minha marca, organizo campeonatos, tenho escola de surfe. Quando a gente pensa só no lucro o dinheiro nunca vem. Quando pensa num trabalho bem feito o dinheiro aparece. É uma consequência.
     
    Como foi criar o boletim das ondas no rádio?
    Comecei na antiga rádio Fluminense, conhecida como “Maldita”. Tinha um cara em cada praia que passava as informações por orelhão. Com a Telemar criei também o “Rico Disque Surf” com boletins às 08h, 12h e a previsão para o dia seguinte. Hoje dou boletins pelo meu site e pela rádio Cidade.
     
    Quais são seus empreendimentos?
    Tenho escola de surf, fábrica de pranchas, o museu do surf (no AquaRio), tenho um trabalho social para ensinar jovens carentes a surfar, dois quiosques, um deles em parceria com a Corona e ainda ministro palestras para grandes empresas. Faço ainda replantio na orla da praia. O primeiro projeto no Rio de Janeiro de replantio da vegetação nativa é meu.
     
    “O surf brasileiro mete respeito no exterior” 
     
    Como você está vendo o Surf hoje?
    Parabenizo a nova geração que é brilhante. Eu levei o Mineirinho ao Havaí pela primeira vez, é um garoto ótimo. O surfe brasileiro mete respeito no exterior. O único, porém no Brasil é que as grandes empresas não investem no surf. É um esporte que só dá alegria. As federações deviam ter mais apoio. Hoje estamos bem no topo, mas não na base. Não está bom. Temos vários campeões sem patrocínio.
     
    Quais são os melhores lugares para surfar no Rio?
    O Arpoador, a Barra, a Praia da Macumba (no Rico Point), Prainha e Grumari. Fora do Rio os melhores lugares são Saquarema e Fernando de Noronha.
     
    Como foi surfar segurando a tocha nas olimpíadas?
    Eu estava indo para o Havaí e me desafiaram a surfar segurando a tocha olímpica. Treinei bastante, me dediquei para não pagar o mico. Ainda assim caí (nos treinos), me machuquei, mas fiquei bom a tempo tomando anti-inflamatórios (riso). Papai do céu foi legal e deu tudo certo na frente de mais de 100 jornalistas do mundo inteiro.
     
    Qual é a primeira dica que dá para os novatos?
    Procurar uma boa escola de surfe, aprender as normas, como são as correntezas e valas. Na minha escola, não se aprende só a surfar. Aprende também a respeitar o próximo, a ficar longe das drogas e a ter bons hábitos alimentares.
     
    Surfar é coisa para jovem ou pode-se aprender em qualquer idade?
    Em qualquer idade, inclusive acima dos 50 anos. Já dei aulas para caras de mais de 60 anos. A pessoa só aprende com dois ou três meses. Antigamente não tínhamos tanta preocupação com estilo de vida. Hoje muitos pais voltam a surfar para ter qualidade de vida e para acompanhar os filhos.
     
    Tem alguma utopia?
    Minha utopia é ver um Brasil melhor e mais justo!
     
    https://ricosurf.com.br/
     
    Quiosques
     
    - Rico Point Recreio: Av. Paulo Tapajós, 124 – Recreio dos Bandeirantes - (21) 3597-7240
    - Rico Point Barra: Av Lucio Costa 3626, QB37 A/B, Posto 5 e meio - Barra da Tijuca -em frente ao condomínio Beton, altura do 3800
     
    - Escola de Surf Rico:
    Barra da Tijuca: WhatsApp (21) 9877-77775
    Praia da Macumba: WhatsApp (21) 9746-80419
    Email: escoladesurfrico@globo.com
     
    Entrevista concedida a Ricardo Rabelo  e Rogeria Paiva, editores do Bafafá.
    Abril 2019

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