A segunda edição do Festival Jackie Vôley de Praia LGBTQI+ será realizado no mês do orgulho gay, com um torneio de vôlei de praia, em Ipanema, para se tornar um marco na causa LGBT+ no cenário esportivo da cidade.
"Neste festival, todas as pessoas interessadas em participar serão bem-vindas. Igualdade, diversidade e inclusão através do esporte são as nossas principais bandeiras", explica a idealizadora do projeto Jackie Silva, a primeira mulher brasileira a ganhar a medalha de ouro na história das Olimpíadas.
A segunda edição, terá a Tifanny, primeira jogadora de vôlei transgênero do Brasil a entrar em quadra no circuito profissional, como convidada especial para o jogo exibição que vai reunir estrelas do esporte e celebridades gays. "Ela é a nossa bandeira da diversidade porque o esporte ainda não conseguiu definir o papel da trans", explica Jackie.
"Estou muito feliz em poder participar dessa festa que vai acontecer no voleibol de praia na cidade do Rio de Janeiro, uma cidade conhecida no mundo inteiro que precisa dar espaço para o público LGBTQIA+. Eu, como primeira mulher trans do esporte brasileiro, fico muito feliz de ser convidada para participar de um evento tão importante como esse junto de uma campeã olímpica, a Jackie Silva. Isso é muito gratificante, pois eu sei que a nossa comunidade trans é a que mais sofre no meio LGBTQIA+, somos o país que mais mata mulheres trans no mundo", analisa Tifanny.
Além dela, a bicampeã olímpica Fabi Alvim, a jogadora de vôlei Carol Solberg, a percussionista Lan Lanh e a psicóloga Bárbara Freitas já confirmaram presença no jogo exibição.
Através de um torneio aberto ao público, com 32 duplas (16 masculinas e 16 femininas) divididas em quatro quadras, o festival junta atividade física associada à inclusão, sustentabilidade e belezas naturais da cidade. O evento pretende proporcionar um espaço seguro e saudável para a comunidade LGBTQIA+ e o público se reunir, socializar e se envolver em uma competição saudável que realça a importância da inclusão social, e demonstra que todos são valorizados e bem-vindos na sociedade.
O festival também contará com a participação de DJs e apresentações de Drags para animar o ambiente e tranformar a praia num local de confraternização para todos com distribuição de uma combinação clássica das areias cariocas: biscoito Globo e mate.
Outro pilar importante é a sustentabilidade, o torneio será organizado de forma sustentável, com foco na minimização do impacto ambiental nas areias da praia. Produtos biodegradáveis, canudos e copos de papel, e coleta de lixo seletiva serão implementadas.
Essas medidas não apenas promovem a sustentabilidade, mas também demonstram a importância de proteger o meio ambiente e estimular eventos que não interfiram nas belezas naturais das praias. Ações como essa visam trazer benefícios econômicos para a cidade, impulsionar o turismo e oferecer oportunidades para o comércio local. Portanto, celebrar o orgulho gay, abraçar a causa LGBTQIA+ dentro e fora do esporte e preservar as praias do Rio de Janeiro são atitudes interligadas que promovem a igualdade, a inclusão e a sustentabilidade.
Sobre a Jackie
Jackie Silva começou a jogar vôlei de quadra aos 10 anos. Conquistou diversos títulos na quadra e na Olimpíada de Los Angeles foi considerada a melhor levantadora. Em 1985, Jackie lutou pela igualdade dos direitos das mulheres e foi vetada da Seleção Brasileira de vôlei de quadra por não concordar em usar a marca do patrocinador no uniforme sem receber remuneração igual aos atletas masculinos.
Em 1996, conquistou o ouro olímpico no Vôlei de Praia, um feito inédito por duas brasileiras na primeira participação oficial do esporte em uma Olimpíada. A jogadora foi a primeira mulher brasileira a alcançar o lugar mais alto no pódio em 100 anos de história das Olimpíadas. Neste mesmo ano, foi primeiro lugar no ranking mundial e a única atleta feminina a gravar um depoimento histórico para o Museu da imagem e do Som (RJ).
Em 1998, concorreu ao título de atleta do século, pela revista ISTOÉ, e no ano seguinte, ela inaugurou o Jackie Clube de Vôlei. Em 2006, foi convidada para o Hall Da Fama, nos EUA.
Atualmente, o Instituto Jackie Silva incentiva os jovens a permanecerem na escola através do Projeto Atletas Inteligentes. O projeto, criado em 2008 e viabilizado pela Lei de Incentivo ao Esporte, tem Jackie Silva a frente e recebeu o Prêmio Atleta pelo Esporte – reconhecido pela UNESCO a atletas de ponta que promovem os valores da educação e das atividades esportivas para construir um futuro melhor para os jovens.
Mais do que uma atleta, Jackie Silva é hoje Embaixadora da UNESCO pelo Esporte. Nesse novo campo, já conquistou mais do que medalhas. Em virtude da importante atuação no auxílio ao desenvolvimento da juventude, o Instituto Jackie Silva foi reconhecido mundialmente pela UNESCO no ano de 2009, ocasião em que foi premiada pela mesma em virtude dos serviços prestados.
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Foto: Divulgação