Luciano Martins de Sousa, proprietário do quiosque Tropicalia, acusado de matar o jovem congolês Moise Kabagambe, será ouvido nesta terça-feira na Delegacia de Homicídios da capital. Vários movimentos sociais, entre eles o movimento negro e a comunidade congolesa no Brasil, prometem protesto durante o depoimento.
Moise, negro, com passaporte diplomático, legalmente refugiado no Brasil, perdeu a vida após ser linchado pelo proprietário do quiosque em companhia de outros quatro homens. Ela cobrava uma dívida por dois dias trabalhados e não pagos.
Ele foi agredido, amarrado com pedaços de fio, espancado por 15 minutos até ser morto com golpes de mata leão, socos, chutes, pauladas com um taco de beisebol.
"Meu filho cresceu aqui, estudou aqui. Todos os amigos dele são brasileiros. Mas hoje é vergonha. Morreu no Brasil. Quero justiça", afirmou Ivana Lay, mãe de Moise, em entrevista ao "Bom Dia Rio", da TV Globo.
Na manhã desta terça, o prefeito Eduardo Paes afirmou que a morte do rapaz não pode ficar impune. "O assassinato de Moïse Kabamgabe é inaceitável e revoltante. Tenho a certeza de que as autoridades policiais atuarão com a prioridade e rigor necessários para nos trazer os devidos esclarecimentos e punir os responsáveis.
O Governador do Rio Cláudio Castro também se pronunciou e prometeu rigor na investigação. "O assassinato do congolês Moise Kabamgabe não ficará impune. A Polícia Civil está identificando os autores dessa barbárie. Vamos prender esses criminosos e dar uma resposta à família e à sociedade. A Secretaria de Assistência à Vítima vai procurar os parentes para dar o apoio necessário", escreveu Castro no Twitter.
O Presidente da OAB/RJ, Luciano Bandeira. afirma que a Ordem cobrará a apuração de mais esse crime bárbaro. "É um compromisso da nossa gestão atuar, dentro das possibilidades institucionais da OABRJ, contra o racismo que assola a nossa sociedade", assinalou.
“Não há dúvidas de que o racismo foi um fator no caso. As imagens mostram mais um negro sendo espancado até à morte, algo que pessoas que transitavam pelo local já normalizaram”, afirmou Alvaro Quintão, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
A Embaixada do Congo está pedindo explicações sobre a morte de Moïse Mugenyi. Movimentos sociais também condenaram veementente o crime a acusam as autoridades de acobertar o nome do dono do quiosque.
A Comunidade Congolesa no Brasil, emitiu uma nota condenando o assassinato. Confira
"A Comunidade Congolesa no Rio de Janeiro vem a público manifestar o seu mais veemente repúdio à morte por espancamento de MOISE MUGENYI KABAGAMBE, cidadão Congolês e refugiado de 24 anos, por gerente e seus amigos no KIOSQUE TROPICALIA, Posto 8 Barra da Tijuca, no dia 24 de Janeiro de 2022 às 21h.
MOISE MUGENYI KABAGAMBE foi espancado até a morte no kiosque Tropicália onde trabalhava como ajudante de cozinha por um contrato temporária diária, ao qual foi negligenciado por ter chamado bombeiro somente 40 minutos após da morte e conduzido em IML como desconhecido e informar a família no outro dia em torno de 10h.
Segundo relatos e vídeos, MOISE no final do seu trabalho foi pedir seu pagamento diária ao gerente, pela distância que ele teve que pegar até Madureira onde reside, o gerente começou a lhe agredir juntos com seus amigos, 5 pessoas no total, batendo lhe com Bastão de Baseball.
Esse ato brutal, que não somente, manifesta o racismo estrutural da sociedade Brasileira, mas claramente demonstra a XENOFOBIA dentro das suas formas, contra os estrangeiros, nós da comunidade congolesa não vamos nos calar.
Lembrando aqui a Convenção de GENEBRA de 1949 sobre a proteção das Pessoas, onde o Brasil ratificou juntou aos seus protocolos adicionais que tem aplicações CONSUESTUDINÁRIA, um dos princípios básicos do Direito Humano é a Inviolabilidade Absoluta da Vida e direito Humana, particularmente. Assassinato, tortura, homicídio.
Por isso exigimos a Justiça para MOISE e que os atores junto ao dono do estabelecimento, respondam pelo crime!
Combater com firmeza e vencer o racismo, a xenofobia, é uma condição para que o Brasil se torne uma nação justa e democrática.”