A decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de aprovar, em discussão única, o Projeto de Lei 4.020/24, que denomina o percurso dos bondes de Santa Teresa como “Trajeto Silvio Santos”, provocou forte insatisfação entre moradores do bairro.
O texto, votado na quarta-feira (25), segue agora para redação final e posterior análise do governador Cláudio Castro.
A proposta é de autoria do deputado Rosenverg Reis (MDB) e altera a denominação de um dos símbolos mais antigos da região. Em operação desde 1896, inicialmente com tração animal, o bonde consolidou-se ao longo de mais de um século como elemento central da identidade cultural de Santa Teresa e da própria cidade do Rio de Janeiro.
Moradores afirmam que a medida foi tomada sem diálogo prévio com a comunidade e lembram episódio semelhante ocorrido em 2023, quando o Parque das Ruínas passou a se chamar Parque Glória Maria, por decreto do prefeito Eduardo Paes. À época, também houve críticas quanto à ausência de consulta pública.
Para parte da comunidade, a homenagem ao apresentador Silvio Santos não guarda relação histórica ou cultural com o bairro. Lideranças locais defendem que, caso haja reconhecimento a figuras ligadas ao sistema de bondes, o nome do motorneiro Nelson Silva — que morreu ao tentar salvar passageiros no acidente de 2011 — seria mais representativo da trajetória do transporte e de seus trabalhadores.
Entidades de moradores articulam reação institucional. A Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast) informou que busca apoio de parlamentares com atuação na região para protocolar moção de repúdio ao projeto, além de organizar um abaixo-assinado contrário à mudança.
O debate agora se desloca para o Executivo estadual, que decidirá se sanciona ou veta a proposta.
Fonte: AMAST