Depois de passar os últimos quatro anos em obras que restauraram suas antigas características arquitetônicas, foi reinaugurado o Convento do Carmo, no Centro do Rio.
A Procuradoria Geral do Estado (PGE) investiu R$ 30 milhões na recuperação do prédio, que foi residência de D. Maria I, rainha de Portugal, depois que a corte portuguesa mudou-se para o Brasil, em 1808, e vai instalar ali o Centro Cultural da Procuradoria, com biblioteca, salão de exposições e um bistrô, abertos ao público.
O principal foco do projeto de reforma do antigo Convento, construído pelos frades carmelitas em 1620, foi a restauração de esquadrias, pisos, forros e pinturas, elementos da arquitetura colonial. Ao mesmo tempo, foram incorporadas novas soluções de acessibilidade, conforto ambiental, acústico e de instalações prediais, que possibilitaram agregar um projeto contemporâneo, sem perder de vista as características históricas do prédio.
No andar térreo da construção de três andares, a obra resgatou a originalidade dos arcos que emolduram os dois grandes ambientes, onde serão instalados o bistrô e o salão de exposições. No primeiro andar, os aposentos que serviram à D. Maria I tiveram o piso, com tábuas de pinho de riga trazidas em navios da Europa, completamente restaurado, assim como a cor das paredes e as pinturas que adornam o ambiente.
A reforma também revelou a estrutura das paredes internas do primeiro piso, com vigas de madeira entrelaçadas, que lembra a preocupação dos europeus com os abalos sísmicos que devastaram Lisboa em 1755.
Ao lado dessa lembrança trágica, a obra também descortinou uma delicada pintura na parede que imita uma divisória em madeira - técnica artística conhecida como trompe l'oeil (em francês), que cria uma ilusão de ótica e transforma a figura em três dimensões. Há, ainda, paredes erguidas com pedras coladas com óleo de baleia.
As escavações feitas no prédio para a instalação de novos sistemas de água e esgoto desenterraram dezenas de achados arqueológicos utilizados no dia a dia pela família real portuguesa: louças francesas e inglesas, garrafas de vinho, talheres de prata, moedas, pentes, cachimbos e fragmentos de cerâmica. Esses utensílios da família real serão reunidos e organizados para uma exposição no próprio convento ainda este ano.
Fonte: Governo do Estado RJ