Relatório de hospitais privados revela que, mesmo com o crescimento gradativo ao longo desses dois meses, entre os 121 hospitais membros da Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp), a taxa de ocupação do primeiro semestre deste ano foi de 13% abaixo da média registrada no mesmo período do ano passado - de 78% caiu para 65,5%. O menor índice, registrado em abril, foi de 53%.
Mesmo com a alta demanda relacionada à pandemia - em 2020 houve aumento de 4,1% na participação das internações relacionadas a doenças infecciosas (categoria na qual se enquadra a Covid-19) - o número total de internações caiu 22,3% entre os meses de janeiro e agosto, em relação a 2019.
Somente em relação às doenças do aparelho circulatório, nas quais se enquadram quadros como infarto, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca, a queda na participação foi de 0,7%.
"Acredito que ainda há uma demanda reprimida por causa do isolamento e que poderá causar um grande impacto negativo não apenas no setor de saúde, mas na vida das pessoas que postergaram os cuidados", comenta Ary Ribeiro, editor do Observatório Anahp e CEO do Sabará Hospital Infantil.
Considerando que a maior parte das despesas dos hospitais é fixa, a redução na receita hospitalar com o adiamento dos procedimentos eletivos somada ao aumento de custos variáveis (insumos, medicamentos e equipamentos de proteção individual, por exemplo), o resultado financeiro dos associados Anahp no primeiro semestre foi cerca de metade do registrado no mesmo período de 2019.
Mas apesar da queda, segundo André Medici, editor da Nota Técnica - Observatório Anahp, economista de saúde e consultor internacional, é possível enxergar uma recuperação a partir de junho, quando o número de casos de Covid-19 começou a cair. "Essa crise é diferente da de 2008, por exemplo, porque ela acompanha a pandemia.
No segundo trimestre deste ano, tanto a economia do Brasil quanto os hospitais tiveram os resultados mais baixos do ano. A margem EBITDA dos hospitais-membros da Anahp que ficou em -1,9% em abril, chegou a junho com 6% e fechou agosto com 11,8%", disse.
No que tange à gestão de pessoas, nos oito primeiros meses do ano, a taxa de absenteísmo (ausência no trabalho) aumentou para 3,3%, percentual superior ao registrado no mesmo período de anos anteriores (cerca de 2%, na média de 2017 a 2019).
Com o aumento desse índice e a abertura de mais de 43.500 leitos entre janeiro e agosto de 2020, o setor hospitalar gerou 55,4 mil vagas, o que representa um aumento de 41,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Este número representa 76,9% das vagas criadas no setor de saúde brasileiro como um todo, de acordo com dados registrados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Redução dos casos de Covid-19
O número de pacientes atendidos na urgência e emergência com suspeita de Covid-19 em relação aos atendimentos totais subiu progressivamente de março a junho, quando atingiu 19,5%, seguindo a crescente da pandemia. Porém, é possível notar uma queda já nos meses de julho e agosto, que apresentaram percentual de 18% e 15,4%, respectivamente.
A taxa de pacientes com suspeita de Covid-19 atendidos no pronto-socorro (PS), que após exame tiveram o diagnóstico positivo confirmado, também teve seu pico no mês de junho, quando atingiu 41,5%. No mês seguinte, essa taxa caiu para 35% e, em agosto, ficou em 36%, demonstrando certa estabilidade nesses dois meses.
Os atendimentos na urgência e emergência de pacientes com o diagnóstico confirmado de Covid-19 convertidos em internação também seguiram tendência de queda entre maio e agosto, quando representaram 2,7% dos atendimentos totais do setor.
Fonte: Anahp