Palco de um dos maiores festivais de cinema do interior do estado do Rio de Janeiro, o Gran Cine Bardot, em Búzios, fechou as portas esta semana.
O comunicado foi feito nas redes sociais. A decisão foi tomada após o projetor do espaço quebrar no fim de semana, e foi reforçada por dificuldades técnicas e financeiras enfrentadas pelo espaço desde 2021.
Neste ano, segundo os responsáveis pelo cinema, uma verba federal do Fundo Nacional de Cultura teria sido depositada nos cofres públicos do município. O dinheiro deveria ser utilizado na transformação do espaço em um centro cultural, através de um projeto de modernização e renovação técnica da sala.
Em um vídeo, Ana Paz, uma das fundadoras do Cine Bardot, contou que esperava receber a verba antes do projetor do cinema morrer, mas isso não aconteceu.
A Prefeitura de Búzios emitiu uma nota oficial informando que chegou a tentar arrendar o cinema, mas os proprietários não teriam aceitado a proposta, e por ser o Gran Cine Bardot um cinema particular, o governo municipal não teria legalidade de alocar recursos públicos no espaço.
Disse ainda que está aberto a discutir alternativas para promover a cultura em Búzios e colaborar com iniciativas culturais adequadas aos interesses públicos.
Inaugurado em 1994, o Gran Cine Bardot era o único cinema de Búzios, localizado em um dos pontos mais badalados da cidade, próximo à famosa Rua das Pedras.
Além da dedicação à chamada sétima arte, os responsáveis pelo espaço também se dedicavam a projetos de cidadania, abrigando reuniões comunitárias, encontros políticos, exibições para escolas, projetos de formação técnica e audiências públicas.
Os trabalhos também seguiam fora das paredes do cinema. Em seu site, o Gran Cine Bardot informa que ass esculturas da Brigitte Bardot e dos Três Pescadores, a construção da Casa de Cultura (hoje Circolo Social), o Espaço Zanine e o Cine Teatro da Rasa também são exemplos de projetos criados pelo Cine Bardot fora do seu espaço físico.
– Construímos o Cine Bardot em 1994, antes de construir a nossa casa em Búzios. Não seria possível viver numa cidade onde não houvesse um cinema, esse lugar imensurável que amplia os horizontes, traça referências e alimenta além do corpo - contou Mário José Paz, também fundador do espaço.