O Rio de Janeiro, mais especificamente Maricá, será endereço da primeira universidade com a chancela da Escola de Hotelaria de Lausanne (EHL), considerada a melhor do mundo em educação executiva para hospitalidade.
Ficará no Maraey, complexo turístico e residencial com quatro hotéis cinco estrelas que está perto de começar a ser construído na Costa do Sol.
O empreendimento terá ainda o primeiro resort temático da marca Rock in Rio, um condomínio residencial de alto padrão, campo de golfe, centro hípico e serviços como escola e hospital, entre outros, com investimentos totais estimados em R$ 11 bilhões.
A Maraey Hospitality University irá se tornar, ao cumprir um processo que se inicia agora, uma instituição certificada pela escola suíça EHL. Será a primeira, dentre 12 já em operação no mundo, na América Latina.
Vai oferecer cursos de bacharelado, MBA e profissionalizante nas áreas de gastronomia, hospitalidade e negócios. O foco é formar executivos para essa indústria.
A EHL é a primeira no ranking mundial de universidades elaborado pela QS, consultoria do setor de ensino superior, na categoria Hospitalidade e Gestão de lazer. As conversas entre o complexo e a EHL tiveram início há seis anos, conta Emilio Izquierdo, CEO do empreendimento, tendo ganho fôlego desde o início de 2022.
— Entendemos que o Brasil tem um enorme potencial turístico. Impulsioná-lo e de forma sustentável tem de ser uma prioridade. Ter a universidade certificada pela EHL em Maraey é uma mensagaem muito boa para o Rio e para o Brasil. É um projeto de alta qualificação em hotelaria, gastronomia e negócios com apelo para estudantes e profissionais da área de toda a América Latina — conta o executivo.
O grupo que toca o empreendimento em Maraey, o IDB Brasil, é controlado por empresas espanholas como a Abacus, de incorporação imobiliária, e a Cetya, de matéria-prima para a construção pesada.
O anúncio da conceituada escola de hotelaria vem na sequência à divulgação das bandeiras que irão operar três dos quatro hotéis de Maraey, ocorrida em janeiro.
Maraey fechou um acordo com a americana Marriott International. Com isso, receberá a primeira unidade da Ritz-Carlton Reserve na América do Sul, além de um dos poucos hotéis JW Marriott operando com regime all-inclusive (com tudo incluído na diária), além do Rock in Rio, Autograph Colletction, estreia da marca do festival na hotelaria. Haverá ainda residências com serviços.
Os três hotéis somarão R$ 2,3 bilhões em investimento, diz Izquierdo. Juntos, somarão 1.100 quartos e, quanto estiverem em operação, devem gerar 3.500 empregos diretos. Na fase de obras, a estimativa é superar 16 mil entre diretos e indiretos.
Já a universidade contará com aporte de aproximadamente R$ 130 milhões, contando com um prédio exclusivo, com instalações para aulas práticas e teóricas, além de restaurante, biblioteca e residências estudantis. Ao todo, poderá receber 700 alunos ao ano.
Uma equipe da escola suíça está no Rio esta semana para uma série de encontros com autoridades, gerentes de hotéis e entidades, além da representantes do meio acadêmico. É com base nas informações que começam a coletar agora que será estruturada a operação da unidade de Maricá.
Em paralelo, Izquierdo destaca que a Prefeitura de Maricá contará com um centro de formação técnica para hotelaria, preparando mão de obra para atuar no setor. Haverá qualificação em outras áreas importantes para a construção e operação do empreendimento, como pedreiros e eletricistas.
Longo processo de licenciamento ambiental
Izquierdo, do Maraey, afirma que as obras de infraestrutura do projeto serão iniciadas nas próximas semanas, com canalização e redes de esgoto, energia, por exemplo. O projeto levou mais de uma década para sair do papel por ter enfrentado sucessivos entraves do ponto de vista ambiental.
É que Maraey ficará em uma área de 840 hectares — o que seria comparável a duas Copacabanas — localizada em uma área de proteção ambiental de Maricá. Com isso, teve sucessivas negativas ao avanço do empreendimento vindas tanto de órgãos do governo, incluindo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) num primeiro momento, quanto pela Justiça de Maricá, mas também de associações ambientais.
O argumento era de que não seria possível erguer um empreendimento do porte de Maraey em área de restinga e proteção ambiental sem impacto negativo para a proteção da fauna e da flora locais, podendo comprometer ainda os mais de oito quilômetros de praia do terreno e o sistema lagunar.
— Foram aproximadamente 13 anos para obtermos o licenciamento. Isso pediu constante aprimoramento do projeto, que foram feitos com apoio de órgãos competentes, universidades, especialistas. Agora, temos todas as autorizações outorgadas pelo município e pelo Estado para darmos início às obras — afirma Izquierdo.
Os esforços em licenciamento vão se desdobrar em novas frentes daqui em diante. Terá início do processo de pedido de licença das marcas dos hotéis, das construções, seguido de orçamentos e editais para contratação de uma rede de fornecedores, incluindo empreiteiras.
De início, serão erguidos três hotéis e um centro de pesquisa ambiental, parte do pacote de compromissos e contrapartidas do projeto ao perseguir a meta de ser um complexo-modelo em turismo sustentável.
Depois, virão a primeira fase residencial, hospital, escola e outras instalações. As construções ocuparão 6,6%% da área do terreno. Há o compromisso manter uma área de proteção natural de 440 hectares, protegendo a restinga original.
Pela estimativa de Izquierdo, a obra dos hotéis terá início no fim de 2023, com início da operação prevista para dois anos depois. As obras da universidade começam no ano que vem, sendo inaugurada entre seis a 12 meses após a abertura dos resorts.
Fonte: Glauce Cavalcanti/O Globo