A venda do edifício A Noite está cada vez mais próxima de uma concretização. O prédio, desde o último dia 18 de maio, passou à guarda da Secretaria de Coordenação e Governança do Patrimônio da União (SPU), deixando de ser responsabilidade do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Essa mudança é essencial para o processo de leilão do prédio, segundo o Ministério da Economia.
Na vistoria para reversão da guarda, foram observadas as condições gerais do edifício A Noite. A última inspeção realizada no prédio havia acontecido em agosto de 2019, para fins de avaliação patrimonial.
Bombeiros ainda não foram ao A Noite
Entretanto, ainda não foi realizada nenhuma vistoria pelo Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro para verificação da segurança contra incêndios ou avaliação estrutural. Segundo nota do Ministério da Economia, a vistoria pelos Bombeiros “não consta dos procedimentos obrigatórios para reversão do referido prédio”.
O processo de venda do A Noite foi paralisado em 2018, quando houve uma tentativa de leilão, fracassada por pendências cartoriais. Ainda não há previsão de data para a publicação do novo edital de venda.
Em 2016, o prédio havia sido avaliado em R$ 137 milhões. Já em agosto de 2019 a avaliação realizada determinou o valor de R$ 90 milhões.
Gigante arquitetônico e histórico, o edifício foi construído no final dos anos 20 do século passado e, até 1934, era o mais alto do Brasil, com 102 metros. Ele abrigou as sedes do jornal A Noite e da Rádio Nacional, que chegou a ser o principal veículo brasileiro de comunicação e onde foram lançadas as primeiras radionovelas do país. Atualmente, a degradação do prédio, no coração do Porto Maravilha, gera transtornos para seu entorno, na Praça Mauá. Comércio e residências são afetados pelo cenário de abandono.
Iphan também não fez vistoria
Tombado em 2013, o A Noite passou, desde então, também para a tutela do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O Instituto previa fazer em março uma inspeção no prédio, para verificar suas condições estruturais. Mas a pandemia do novo coronavírus obrigou que o procedimento fosse adiado, segundo a instituição. Ela promete que assim que as atividades presenciais forem retomadas, a vistoria do A Noite será realizada, pois se trata de uma das prioridades deste ano no planejamento de fiscalizações do Iphan no Rio de Janeiro.
O edifício foi inaugurado em 7 de setembro de 1929. Segundo o parecer do Iphan, o prédio é emblemático tanto pelo aspecto estrutural e arquitetônico, quanto por seu significado cultural. Além disso, é considerado um marco da modernidade do Rio de Janeiro, então capital brasileira.
Os 22 pavimentos do primeiro arranha-céu brasileiro reunia multinacionais, como a Pan Am e Philips, agências de notícias e os consulados dos Estados Unidos e Panamá. O edifício de concreto armado abrigava também os estúdios e o auditório da Rádio Nacional, que no início do século XX era o centro da vida cultural. Pelos corredores do Edifício A Noite circulavam artistas como Cauby Peixoto, Emilinha, Marlene, Dalva de Oliveira e Francisco Alves.