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  • Expedição de cientistas à Serra do Imeri, no Amazonas, descobre espécies de plantas e animais nunca catalogados

    Da Redação em 28 de Março de 2023    Informar erro
    Expedição de cientistas à Serra do Imeri, no Amazonas, descobre espécies de plantas e animais nunca catalogados

    Uma equipe de 14 pesquisadores pousou numa cordilheira remota do norte da Amazônia em novembro de 2022, esperando encontrar muitas espécies novas.
     
    E foi exatamente o que aconteceu. Análises preliminares do material coletado nessa expedição pioneira à Serra do Imeri confirmam a expectativa dos cientistas de que muitas das plantas e animais que habitam essas montanhas amazônicas são espécies novas, totalmente inéditas para a ciência.
     
    Liderada pelo professor Miguel Trefaut Rodrigues, do Instituto de Biociências (IB) da USP, a expedição ocorreu de 7 a 18 de novembro, numa cadeia de montanhas nunca antes visitada por pesquisadores no norte do Estado do Amazonas, próximo à fronteira com a Venezuela, dentro do Parque Nacional do Pico da Neblina e da Terra Indígena Yanomami.
     
    Os cientistas passaram 12 dias acampados a 1.870 metros de altitude, instalando armadilhas e percorrendo trilhas para coletar a maior diversidade possível de espécies da fauna e flora locais.
     
    O trabalho foi realizado em parceria com o Exército Brasileiro e acompanhado na íntegra pelo Jornal da USP, que publicou uma reportagem detalhada sobre a expedição em dezembro e acaba de produzir um minidocumentário em vídeo (ver abaixo).
     
    O objetivo principal da expedição era documentar a biodiversidade dessas montanhas amazônicas, que, por conta da altitude e do isolamento biogeográfico, tendem a abrigar espécies completamente diferentes daquelas tipicamente encontradas na “baixa Amazônia”.
     
    Os pesquisadores voltaram do campo com amostras de mais de 260 espécies de plantas e animais na bagagem — um número pequeno, quantitativamente falando, se comparado ao que poderia ser coletado em elevações mais baixas nesse mesmo período de tempo, mas que traz embutido nele um porcentual altíssimo de espécies novas e/ou endêmicas, que só existem ali, naquele local. 
     
    “Os resultados são espetaculares; a quantidade de bichos novos é impressionante”, comemora Rodrigues. Entre os lagartos, por exemplo, todas as quatro espécies coletadas no Imeri são novas. Entre os anfíbios, de um total de oito espécies coletadas, pelo menos cinco são inéditas — sendo que uma delas pode representar não apenas uma espécie, mas um gênero completamente novo. E o potencial para que apareçam outras novidades à medida que o material continuar a ser analisado é altíssimo, completa o professor Taran Grant, também do IB, especialista em anfíbios.
     
    Passados quatro meses da expedição, os pesquisadores estão agora analisando características genéticas dos espécimes coletados, que podem tanto confirmar as avaliações iniciais feitas com base na morfologia, quanto trazer à luz novas diferenças e similaridades, invisíveis “a olho nu”. Pode-se descobrir que dois bichos morfologicamente parecidos são, na verdade, espécies geneticamente distintas; assim como dois bichos aparentemente diferentes podem, na verdade, ser apenas variações geográficas de uma mesma espécie.
     
    Uma primeira análise genética de girinos que foram coletados num riacho da montanha indica que muitos deles são da família dos bufonídeos (aqueles sapos grandalhões, de pele rugosa, tipo o sapo-cururu), apesar de nenhum anfíbio adulto desse grupo ter sido coletado ou mesmo avistado pelos pesquisadores durante a expedição. Segundo Grant, é provável que seja mais uma espécie nova.
     
    Além de répteis e anfíbios, também foram coletados mamíferos, aves e plantas, principalmente. Todos os animais tiveram amostras de sangue e tecido coletadas para a realização de exames genéticos e parasitológicos, testes de tolerância térmica, para avaliar sua capacidade de resposta ao aquecimento global.
     
    Além da USP, JBRJ e UFSCar, participaram da expedição pesquisadores vinculados ao Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS) e à plataforma VulneraWeb, da Espanha. O projeto de pesquisa é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa Biota.
     
    Fonte: Jornal da USP/Herton Escobar

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    Expedição Serra do Imeri


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      • Comentário do post Leandro Amaral:
        Que pena que faltou sensibilidade para convidar a UFAM ou outra universidade da Amazônia/Norte para participar da empreitada científica; valorizar e fortalecer a ciência aqui...Mais bonito convidar a França... Colonização na medula.


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