O outono começa com previsão de mudança no tempo no Rio. O estado deve ser alcançado por uma frente fria no fim da quinta-feira, evento climático que trará chuva persistente até domingo.
A iminência dos temporais fez o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitir aviso de "grande perigo" — seu maior nível de alerta — de chuvas intensas para o Rio a partir da meia-noite de sexta-feira, assim como provocou uma reunião do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) com representantes das Defesas Civis Estadual, do Rio, e de municípios da Região Serrana.
A previsão é que os maiores volumes de chuva sejam registrados no sábado, com a Região Serrana como a mais afetada. Segundo o Climatempo, a quinta-feira começará com sol, com chances de pico de calor no estado, devido ao pré-frontal, condição que antecede a chegada de uma frente fria. Ao fim do dia, a frente fria se aproxima, com a formação de nuvens carregadas e há previsão de pancadas de chuva, com chances de temporal, de acordo com o instituto.
— A gente vem de um cenário de dias muitos quentes no Rio e terá uma frente fria muito importante, que vai quebrar esse cenário. Esse é um contexto de choque de massas, uma muito quente com uma muito fria, o que preocupa os meteorologistas — explica Guilherme Alves, meteorologista do Climatempo, sobre o contexto que deve motivar os temporais.
Já entre sexta-feira e sábado, essa frente fria se desloca lentamente sobre o estado e levará chuva para todas as regiões. O alerta do Climatempo é que essa será uma situação "excepcional", com chuva persistente, caindo de forma intensa, o que "irá acarretar acumulados extremamente elevados, que podem superar o volume médio para todo o mês de março em apenas 24/48 horas".
O acumulado de chuva pode variar de 300 a 500 milímetros na Região Serrana, na Baixada Fluminense e no Litoral Norte de quinta a domingo, mais que o dobro do esperado para esta época do ano.
Na capital, por exemplo, a média para todo o mês de março é de 135 milímetros na estação Vila Militar; já em Petrópolis, a média é de 207,5 milímetros neste mês.
— Pelas nossas avaliações, há um grande perigo para essas chuvas torrenciais. Só que colocamos o estado inteiro (nesse aviso) porque os modelos meteorológicos que a gente consulta ainda não definiram uma área preferencial — observa o meteorologista Thiago Sousa, do Inmet-Rio.
O que o meteorologista do Inmet explica é que, apesar do fim do verão no calendário, "não existe o botão de 'liga e desliga'" de uma estação para a outra. Por isso, mesmo com o outono, a climatologia costuma esperar chuvas intensas até o mês de abril.
— A atmosfera leva um período de dias e semanas para começar a ganhar as características da nova estação. Tom Jobim estava errado ao falar das águas de março fechando o verão, porque as chuvas de abril ainda são resquícios do verão — completa Thiago Sousa.
Fonte: Extra