A Prefeitura do Rio concluiu, nesta sexta-feira (21), o processo de licitação do Jardim de Alah, na Zona Sul do Rio, que promete levar modernização para o espaço.
Conforme anunciado pela comissão de licitação da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPAR), o vencedor foi o Consórcio Rio + Verde, formado pelas empresas Accioly Participações, DC-Set, Opy e Púrpura. Eles devem administrar o jardim pelo período de 35 anos.
Ao todo, três empresas demonstraram interesse no consórcio. São elas: Consórcio Rio + Verde (1º lugar), Duchamp Administradora de Centros Comerciais (2º lugar) e o Consórcio Novo Jardim de Alah (3º lugar).
A Duchamp Administradora de Centros Comerciais disse que vai recorrer da decisão. A empresa tem até cinco dias úteis para o recurso. Após isso, a prefeitura do Rio terá mais cinco dias úteis para analisar o pedido e dar uma resposta. O próximo passo da licitação é habilitar o vencedor, que só poderá ter o contrato assinado após os trâmites do recurso.
Nas redes sociais, o prefeito da cidade, Eduardo Paes, demonstrou animação para a revitalização, operação e manutenção da área, que fica entre os bairros de Ipanema e Leblon, na Zona Sul da cidade. Ele também publicou as imagens do projeto de como vai ficar o Jardim de Alah.
"Hoje terminamos o processo de concessão do Jardim de Alah. Vejam que incríveis as imagens de como vai ficar! Melhor, tudo pago com recursos privados!"
De acordo com o edital, o valor do contrato é estimado em R$ 112,6 milhões, que correspondem ao investimento a ser feito pela concessionária ao longo do prazo estipulado para a concessão. A verba deverá ser investida na recuperação de jardins, implantação de ciclovias, dar novos usos como instalação de lojas e restaurantes, além da promoção de eventos e exposições.
Em contrapartida, a nova administração poderá explorar áreas delimitadas nos 7 mil m 2 para atividades de serviços privados. A proposta é que o Jardim de Alah continue sendo um parque público, com entrada gratuita, com ainda mais áreas verdes onde hoje ficam carros estacionados.
Para as Associações de Moradores (Amaleblon) e Comercial (Acleblon) do Leblon, a medida é a única solução para uma revitalização do parque.
"Nós somos a favor da concessão, ela atende a maioria das exigências dos moradores, acreditamos em uma grande melhora. O Jardim de Alah hoje está tomado por moradores de rua e usuários de drogas, então, não tem como continuar como está, é super perigoso passar por ali. Tudo isso vai mudar quando essa concessão for dada, para que a gente possa ter todas as melhoras que eles prometem e são obrigados a fazer pelo contrato de concessão", afirmou a representante da presidente da Amaleblon, Virgínia Fernandes, que destacou a segurança como principal preocupação.
Mas, nem todos apoiam. "Os bairros de Ipanema e Leblon estão fartamente servidos de lojas, restaurantes e shoppings. São carentes de praças públicas e jardins aprazíveis. Os jardins urbanos são oásis. Numa cidade com tanta gente desvalida, desigualdades sociais abissais e problemas candentes de segurança pública, os espaços urbanos são atravessados por conflitos. Mas a solução não é apostar no deterioro para facilitar a especulação que privilegia investidores. Entre os edifícios de alta classe média da região ladeada pelo parque está a Cruzada São Sebastião e a escola pública Henrique Dodsworth. O Jardim de Alah deveria ser uma zona de interação social diversificada e gratuita", diz Beatriz Jaguaribe, professora da Escola de Comunicação da UFRJ.
Fonte: O Dia