A venda do Edifício A Noite está marcada para o próximo dia 13 de abril, às 15h, pelo preço mínimo de R$ 98 milhões, segundo edital publicado pela Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Economia.
O Edifício A Noite é um dos mais importantes marcos da arquitetura no Rio de Janeiro, tendo sido inaugurado em 1929, quando foi considerado o mais alto da América Latina, com 102 metros. O prédio fica na praça Mauá, o coração do Porto Maravilha, região da cidade que foi revitalizada durante as gestões anteriores do prefeito Eduardo Paes.
A venda será por meio de leilão eletrônico, considerando a melhor oferta. Para os interessados na compra, a SPU já realiza desde o ano passado visitas agendadas.
O prédio, de propriedade do Governo Federal, está desocupado desde 2012, quando dali saiu o último ocupante, o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Antes, o edifício ficou célebre por ter sido a sede da Rádio Nacional, o mais importante veículo de comunicação do país no auge da era do rádio.
O nome popular do edifício, A Noite, é uma referência ao jornal de mesmo nome que funcionou no prédio e que pertenceu a Irineu Marinho, o pai de Roberto Marinho, fundador das organizações Globo. Oficialmente, o prédio se chama Joseph Gire, o arquiteto francês que o projetou, assim como também foi o autor dos hotéis Glória e Copacabana Palace.
A Noite tem venda dentro do programa de desestatização do Governo Federal
A venda do A Noite pela SPU faz parte do programa de desestatização do Governo Federal, pelo qual se pretende vender outras dezenas de propriedades pelo país. Inclusive um terreno avaliado em R$ 24 milhões, também na Região Portuária do Rio.
Segundo o empresário Marcelo Conde, um especialista em empreendimentos imobiliários, “é muito importante a venda do Edifício a Noite”, mas ela poderia ser mais bem sucedida, caso houvesse antes um alinhamento entre a SPU e a Caixa Econômica Federal a respeito dos futuros passos do projeto do Porto Maravilha.
A Caixa detém a gestão do fundo imobiliário que vende os Cepacs, títulos que permitem a construção de novos edifícios na região revitalizada do Porto. A recessão econômica do país e a falta de uma política clara encalharam a venda dos títulos, considerados muito caros pelo mercado.
Enquanto o A Noite não é vendido, o prédio causa apreensão por seu estado aparente de abandono, o que prejudica os moradores, escritórios e comércio da vizinhança.
Fonte: Diário do Porto