Moradores e ambientalistas estão em pé de guerra com a Companhia Caminho Aéreo Pão de Açúcar que está construíndo quatro tirolesas ligando os morros do Pão de Açúcar e da Urca. A pressão já obteve o primeiro resultado com o embargo da obra determinado pela prefeitura do Rio.
A revolta é que projeto aumenta em quase 50% a área construída nos cumes dos dois morros e em 54% na área que ocupa na Praia Vermelha.
O conjunto é Monumento Natural (MoNa Pão de Açúcar) tombado pelo Iphan (1973) e reconhecido pela Unesco (2012) como Paisagem Cultural Urbana.
Em reunião na Associação de Moradores da Urca (Amour) com representantes da CCAPA, moradores prometeram acionar o Ministério Público Federal e recorrer ao IPHAN que autorizou o empreendimento há dois anos.
Para a instalação das tirolesas estão sendo feitas perfurações na rocha que vão abrigar imensos terraços avançando pelas bordas dos cumes.
No atrativo, o público vai pular de uma altura de quase 400 metros a 100 quilômetros por hora, percorrendo uma distância de 755 metros em 51 segundos.
Moradores e ambientalistas criticam ainda o barulho que as tirolesas vão gerar sobre o meio-ambiente com o grito dos usuários.
O protesto ganhou também as redes com um abaixo-assinado digital no portal Change. No documento de apresentação, o projeto das tirolesas é duramente criticado.
Abaixo-assinado no Change
A instalação de uma multi-tirolesa (4 novos cabos de aço, a serem somados aos muitos já existentes), entre os morros do Pão de Açúcar e da Urca, começa a se concretizar sem que a população tenha informação suficiente, ou tenha sido consultada através de suas representações civis, a respeito desse impacto no monumento natural mais emblemático da cidade do Rio de Janeiro, seu mais famoso cartão-postal.
Será que esse aparato é, de fato, interessante para a cidade? Quem se beneficia desse projeto? Será que o número de turistas atraídos compensa o impacto ambiental na Unidade de Conservação? E o impacto na vizinhança, foi avaliado? A própria estrutura de transporte para o topo, comporta o impacto do público? Todas as consequências foram, de fato, avaliadas pelas instâncias públicas responsáveis? Afinal, estamos falando, relembramos, do monumento natural mais simbólico da cidade!
Os morros do Pão de Açúcar e da Urca, já foram vítimas de muitas outras propostas nocivas, como a iluminação com potentes holofotes na base da face oeste do Pão de Açúcar, feita pela CCAPA, que dizimou os insetos e outros animais noturnos, mas foi logo removida; a tentativa de uma empresa de instalar um gigantesco cometa de Natal iluminado, na face norte do Pão de Açúcar; ou, mais recentemente, a expansão do teleférico do Pão de Açúcar para o Morro do Leme ou para o Morro da Babilônia.
Não podemos deixar de questionar quem se beneficia de todas essas interferências num espaço que é patrimônio ambiental, cultural e histórico, não apenas da cidade do Rio de Janeiro, mas de todos os brasileiros.
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