Moradores do Jacarezinho relataram abusos e muitas mortes durante uma operação das polícias Civil e Militar na favela, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (6). Além da invasão de casas, moradores afirmaram ter havido casos de celulares confiscados.
Pelas redes sociais, houve denúncias de que houve mais mortes do que as 25 oficialmente contabilizadas de suspeitos durante a operação. No começo da manhã um policial civil foi morto, baleado na cabeça.
Por volta das 12h, um grupo de moradores fez um protesto em um dos acessos à comunidade e tentou fechar o trânsito em uma rua da região.
Um morador do Jacarezinho afirma que, durante a perseguição de criminosos e policiais, duas pessoas foram mortas na casa onde ele vive com a avó. Imagens do imóvel mostram o local sujo com o sangue das vítimas. O crime foi presenciado por ele e pela idosa.
"Respeito com os moradores, nunca tem. Isso é uma população, mas acho que eles pensam que estão no Iraque", disse o morador, que também afirmou ter a intenção de deixar a comunidade.
"Estamos providenciando a venda [da casa] o mais rápido possível. Não dá mais para residir dentro de uma comunidade", afirmou o morador.
OAB e Defensoria Pública vão acompanhar
A situação vai ser acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro e também pela ouvidoria da Defensoria Pública do Estado.
Integrantes do coletivo Mães de Manguinhos, formado por familiares de pessoas mortas pela polícia no RJ, descrevem “o horror” vivido nesta quinta no Jacarezinho. Segundo elas, há corpos espalhados pelo chão em vielas da comunidade.
“Tem muita gente morta”, diz uma representante, que teme ser identificada. “As famílias estão todas desesperadas, tentando chegar perto dos corpos, e os policiais não deixam”, relata outra mulher, também pedindo anonimato.
Há denúncias de que policiais “confiscaram” telefones celulares de moradores sob a alegação de que estavam mandando informações para traficantes.
“Estão pegando telefone e agredindo morador”, relatou outra pessoa que também não quis ser identificada.
Fonte: G1