O Museu do Pontal foi indicado ao prêmio internacional de arquitetura Building of the Year, promovido pelo site @archdaily, na categoria Arquitetura Cultural.
A premiação seleciona, anualmente, projetos que se destaquem pelos conceitos de inovação, sustentabilidade e funcionalidade. Todos os projetos selecionados passarão agora por um júri popular.
Abrigando a maior e mais significativa coleção de Arte Popular Brasileira, o Museu do Pontal funcionou por três décadas no Recreio dos Bandeirantes. Uma série de inundações, de 2010 a 2020, colocou em grande risco o acervo do Museu do Pontal, e a inauguração de sua nova sede na Barra da Tijuca é o feliz resultado de um longo caminho de lutas e da reunião de uma rede de milhares de pessoas, além do BNDES, VALE, ITAU, REPSOL, TERNIUM e Prefeitura do Rio de Janeiro que acreditaram na importância de levar esse patrimônio brasileiro para as futuras gerações.
O novo espaço foi inaugurado em 2021 e chamou atenção pelo seu caráter público e aberto, funcionando como um Museu/Praça. Além do conceito de sustentabilidade que abarcou todo o projeto, sua paleta de materiais - concreto, madeira, vidro, calçada de pedras portuguesas – reforça um sentido de suporte neutro, que favorece a experiência do acervo, aliada pela introdução sutil de elementos da paisagem.
Segundo Bruno Santa Cecília e Paula Zasnicoff, do escritório Arquitetos Associados, “o novo edifício e seus jardins se fazem a partir de um entrelaçamento entre diversas escalas e paisagens: a obra construída, de escala acolhedora; os jardins artificiais que, aos modos de um parque, constituem áreas de usufruto ao ar livre; e a potente geografia do Rio de Janeiro, a ser ativada por meio da interação com as extensas paisagens do entorno”.
A integração entre os espaços internos e externos acontece por conta da instalação de grandes janelas, fazendo com que mesmo da área de exposição seja possível ver os jardins, projetados pelo Escritório Burle Marx. O local conta com dezenas de milhares de mudas de 73 espécies nativas brasileiras, de árvores frutíferas e vegetação tropical.
O edifício, instalado em um terreno de 14 mil m², conta com 2.600 m² de área construída e apresenta soluções arquitetônicas que garantem a economia de energia, de água e o plantio de uma área verde que contribui para a purificação e a umidade do ar da região.
A partir de um estudo realizado pela Casa do Futuro, analisando o caminho do sol ao longo do ano e o regime de ventos, foram definidas estratégias para garantir o conforto térmico e a iluminação dos espaços. O pé direito de oito metros, as janelas com quebra-sol e ventilações cruzadas garantem um ambiente arejado. As medidas possibilitam que apenas 30% do prédio precise do uso de ar-condicionado.
A preocupação em garantir iluminação natural, fez com que a sede ganhasse grandes janelas e portas de vidro. Com o apoio da Vale, serão instaladas, ainda, 126 placas solares que permitirão ao Museu obter 100% de energia limpa em seu consumo total. O conjunto das ações permite ao Museu do Pontal ter 20% do valor médio gasto por outros museus de porte similar construídos recentemente no Rio de Janeiro.
Além da economia de energia elétrica, o projeto proporciona a economia de água. Ao longo do terreno foi instalado um sistema de drenagem que recolhe e direciona a água da chuva para reservatórios com capacidade para armazenar 100 mil litros. Esta é reutilizada para regar os jardins.
A preocupação com a transformação que o espaço de um Museu, como uma instituição viva, tem ao longo dos anos, fez também com que flexibilidade se transformasse em um dos lemas do projeto. Os espaços de pé direito alto nas áreas técnicas permitirão o crescimento futuro das áreas de armazenamento e depósito de arte de forma simples e econômica, por meio da inserção de mezaninos de aço, recurso que pode ser estendido às demais áreas da instituição.
Fotos: Manuel Sá/Divulgação