Um novo morador pré-histórico passou a ocupar a entrada do Museu Nacional. Desde este domingo, um animatrônico em tamanho monumental do Oxalaia quilombensis chama a atenção de quem passa em frente ao Palácio de São Cristóvão.
Com 5 metros de altura e 15 metros de comprimento, a estrutura reproduz um dos mais importantes dinossauros já descritos no Brasil e integra as comemorações pelos 208 anos da instituição científica.
A peça foi doada pelo Terra dos Dinos, parque temático localizado em Miguel Pereira, fruto de uma parceria construída ao longo dos últimos anos com o Museu Nacional/UFRJ. O animatrônico permanecerá em frente ao palácio até agosto e, posteriormente, será transferido para a entrada do Centro de Visitantes, conhecido como Estação Museu Nacional.
Descrito por pesquisadores do Museu Nacional, o Oxalaia quilombensis viveu há cerca de 95 milhões de anos na região da atual Ilha do Cajual, no Maranhão. Integrante da família dos espinossaurídeos, o animal é considerado um dos maiores predadores já identificados em território brasileiro. Seus hábitos eram predominantemente piscívoros, com adaptações que favoreciam a captura de peixes em ambientes costeiros e aquáticos.
A chegada do animatrônico também reforça a importância científica da instituição. Segundo a vice-diretora do Museu Nacional, Juliana Sayão, a espécie foi descrita por paleontólogos ligados à instituição, incluindo uma doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Zoologia, destacando o papel do museu na pesquisa e formação de novos cientistas.
Outro aspecto simbólico envolve a recuperação de parte dos fósseis originais da espécie. Fragmentos que estavam armazenados no Museu Nacional foram resgatados durante os trabalhos realizados após o incêndio de 2018, em uma operação financiada conjuntamente pelo Ministério da Educação, pela UFRJ e pelo Governo da Alemanha.
A parceria entre o Museu Nacional e o Terra dos Dinos começou ainda na fase de planejamento do parque temático. Desde então, pesquisadores da instituição participam da curadoria científica do projeto, garantindo que as representações dos animais pré-históricos apresentadas ao público estejam alinhadas ao conhecimento paleontológico mais atualizado.