A cidade do Rio de Janeiro passou na quarta-feira (8) a marca de 10 mil mortes causadas pelo novo coronavírus, segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES). Na proporção por habitantes, a capital fluminense tem 148,5 óbitos a cada 100 mil pessoas -- se fosse um país, o Rio teria o pior índice do mundo.
A Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, compila os dados da doença nos países e indica quantas pessoas morreram de Covid-19 a cada 100 mil habitantes. Nesta conta, San Marino é o país com maior número: 124,32 -- ou seja, menos que o Rio.
O número é bem mais alto do que Itália (58,85), que chegou a não ter locais para enterrar seus mortos, e a Espanha (63,34).
"A gente já tinha visto que a mortalidade no município do Rio de Janeiro era uma das maiores do país e uma das maiores do mundo. Esse cálculo confirma isso. É um dado concreto que precisa ser avaliado", diz o infectologista Roberto Medronho, coordenador do Grupo de Trabalho Coronavírus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A população da cidade do Rio em 2020, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 6,7 milhões.
Próximo dos 10,7 milhões de suecos (57 mortes/100 mil hab.), segundo o Banco Mundial, e três vezes menor do que a população chilena, de 18,7 milhões de pessoas (62 mortes/100 mil hab.). A Itália, o 12º no ranking, tem 60 milhões de habitantes -- quase dez vezes mais do que o Rio -- e uma taxa de mortalidade de 58 a cada 100 mil habitantes.
Rio à frente de cidades com mais mortes
A proporção de mortes por 100 mil habitantes do Rio também é a maior se comparada com as cinco cidades brasileiras que têm mais mortos por coronavírus em números absolutos.
São Paulo lidera o número de mortes (11.740), mas é a quarta se considerada a população de mais de 12 milhões de habitantes. Fortaleza tem 3.807 óbitos, mas fica à frente dos paulistas por ter cerca de 2,6 milhões de residentes.
No mês passado, o Brasil era o décimo país no ranking da Johns Hopkins de mortes por 100 mil habitantes.
O governo federal tem argumentado que o país tem "um dos menores índices de óbitos por milhão entre as grandes nações", mas a afirmação não é verdadeira.
Na ocasião, o epidemiologista e reitor da Universidade Federal de Pelotas já havia falado que a tendência era que o Brasil continuasse subindo neste ranking. Isto porque a epidemia ainda não foi controlada aqui, diferentemente de outros países.
“Ainda não estamos liderando o ranking de mortes por milhão neste momento, neste estágio em que estamos da pandemia, mas certamente vamos liderar se os números não baixarem. É só comparar os registros do Brasil semana a semana com países que lideram o ranking, e veremos que temos muito mais casos e mortes”, disse ele à época.
Fonte: G1