Pesquisadores do Projeto Ilhas do Rio conduzido pelo Instituto Mar Adentro garantem que o Monumento Natural das Ilhas Cagarras é um novo habitat de tartarugas-verdes (Chelonia mydas).
Em menos de um ano de estudo*, entre agosto de 2020 a abril de 2021, a equipe do projeto já identificou e catalogou 28 indivíduos – juvenis em busca de descanso e alimentação.
“As Ilhas Cagarras, em especial a Ilha Comprida, têm demonstrado ser um local atrativo e favorável para as tartarugas-verdes. Por ser uma espécie em risco de extinção globalmente é fundamental a proteção do habitat utilizado pelos juvenis para a manutenção da população a longo prazo.
A população do Atlântico Sul, recentemente, saiu do status de ameaçada, mas ainda permanece dependente de conservação. Por isso, esta descoberta renova as esperanças da espécie e reforça a importância da preservação das Ilhas Cagarras”, diz Suzana Guimarães, coordenadora da Pesquisa de Tartarugas do Projeto Ilhas do Rio.
De acordo com os pesquisadores, a concentração de tartarugas-verdes pode estar associada às boas condições da região, que possui costões rochosos e pedras que podem servir como locais de descanso. Nas ilhas há ainda diversas espécies de algas, corais, esponjas e outros invertebrados e espécies de peixes que servem como alimentos para a Chelonia mydas.
No final de abril, o Monumento Natural das Ilhas Cagarras foi reconhecido internacionalmente como um santuário da biodiversidade. Por causa de toda sua importância ambiental e cultural, as ilhas e as águas em seu entorno receberam o selo “Hope Spot” da aliança global Mission Blue, já concedido a outros 130 lugares do mundo, entre eles, as Ilhas Galápagos, no Equador, e a Grande Barreira de Corais, na Austrália.
O Monumento Natural das Ilhas Cagarras é a primeira Unidade de Conservação Marinha de Proteção Integral da cidade do Rio de Janeiro.
Apesar de estar localizado a apenas 5 km da praia de Ipanema, ou seja, tão próximo do centro urbano, o local é um importante corredor migratório de baleias e habitat de centenas de espécies marinhas raras, endêmicas e também, em risco em extinção. Já foram registradas ali mais de 600 espécies de animais e plantas. E se não bastasse tudo isso, ainda abriga um sítio arqueológico tupiguarani.
Por Suzana Camargo