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  • Com ecossistema único, Arraial do Cabo tem projeto de preservação desenvolvido pela UFF

    Da Redação em 10 de Setembro de 2023    Informar erro
    Com ecossistema único, Arraial do Cabo tem projeto de preservação desenvolvido pela UFF

    Cidade costeira situada na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, Arraial do Cabo é reconhecida pela paisagem paradisíaca e pelo clima ameno, sendo um dos principais pontos de atração do turismo no estado.
     
    Para além do reconhecido destino de lazer, a cidade também tem grande destaque enquanto reserva ecológica: o município possui um ecossistema único, chamado de “oásis coralíneos”, onde se encontra uma grande abundância de corais, bastante sensíveis à degradação ambiental que vem acompanhada da pesca, do turismo intenso e até mesmo de atividades recreativas.
     
    Com isso, o Projeto Costão Rochoso, associado ao Laboratório de Ecologia e Conservação de Ambientes Recifais da Universidade Federal Fluminense (LECAR-UFF), tem o objetivo de promover a conservação e preservação da fauna e da flora da região.
     
    Por três anos, o projeto recebeu financiamento do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (FUNBIO) e, neste ano, passou a contar com apoio financeiro da Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental, para estudar os ecossistemas marinhos do município. “Tenho uma carreira construída em Arraial do Cabo desde o mestrado, trabalhando no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM). É uma longa jornada de estudo para entender a construção do ecossistema e como conservá-lo”, explica o professor Carlos Eduardo Leite Ferreira, coordenador do projeto.
     
    Além de pesquisar o ecossistema, o Projeto Costão Rochoso também trabalha com outras frentes. A primeira delas, como explica a bióloga e pesquisadora do projeto Juliana Fonseca, é o monitoramento da região, com levantamento de dados para a gestão da Prefeitura Municipal e da reserva ecológica, já que “Arraial do Cabo é uma reserva extrativista marinha, então precisa de informações para o gerenciamento e para promover a conservação dos recursos”.
     
    Assim, o grupo de pesquisadores do projeto realiza o monitoramento dos animais do local e também analisam a fauna da região entre marés, onde estão os organismos sempre cobertos pela água ou que vivem na faixa de transição entre os ambientes marinho e terrestre. Em 2019, por exemplo, durante uma onda de calor intensa na região, o projeto atuou acompanhando o branqueamento e a recuperação dos corais do ecossistema.
     
    Para a coleta de informações, o grupo usa sensores acústicos em alguns dos animais do ambiente, como peixes e tartarugas. Um dos objetivos é entender em quais áreas esses animais passam mais tempo e como está a situação dessa região em termos de conservação.
     
    “A gente tem um sistema que consegue captar por onde a tartaruga ou o peixe passa e depois, a partir desses dados, conseguimos saber qual área que estão usando, por onde estão passando e se eles se locomovem muito de um lado para o outro”, explica a pesquisadora. Especificamente quanto às tartarugas, a bióloga conta que os integrantes do projeto realizam também um exame médico com o animal ao capturá-lo, medindo-o e pesando-o antes de inserir os sensores acústicos para então devolvê-lo ao mar.
     
    Outro aspecto do Projeto Costão Rochoso é a capacitação, em que os pesquisadores trabalham buscando informar a comunidade de Arraial do Cabo sobre a pesquisa e as formas de preservar o ambiente marinho da região.
     
    “Trabalhamos muito com a prefeitura da cidade em termos de capacitação e educação. Fazemos a capacitação de professores, pescadores, guardas-ambientais e, agora, estamos com uma tentativa de realizar a capacitação dos turistas com a cartilha que produzimos”, comenta Juliana.
     
    Com os professores da cidade, houve um curso de capacitação para mostrar o material produzido pelo projeto e como usá-lo, já com os pescadores, a capacitação foi em primeiros socorros das tartarugas marinhas, principalmente quando acabam presas nas redes de pesca. “Também fazemos a capacitação de jovens líderes contra as mudanças climáticas, principalmente meninas; de mergulhadores, para atuarem como monitores de espécies exóticas, como o peixe-leão, e para o turismo de base comunitária”, continua.
     
    O desejo é multiplicar a importância da conservação do ambiente, promover o conhecimento e a valorização do município, além de incentivar o pertencimento das comunidades locais que interagem diretamente com o ecossistema marinho da cidade e, muitas vezes, fazem uso dele para a subsistência.
     
    “A gente busca estimular o pertencimento dessas pessoas que estão ali em Arraial do Cabo, que vivem da pesca e do turismo. Estimulá-las a conhecer e também saber o que elas já conhecem. Nossa intenção é fazer com que elas consigam entender a importância do projeto”.
     
    Por último, o projeto também trabalha com a educação básica. Desde o início do programa, foram 13 eventos realizados em escolas, com a participação de 874 alunos ao todo.
     
    Na Educação Infantil, o grupo trabalha com oficinas para educar as crianças e com a produção de materiais pedagógicos que possam ser usados pelos professores para replicar conhecimentos em colégios de cidades além de Arraial do Cabo. Já no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, o projeto realiza oficinas itinerantes, com atividades educativas e apresentando os organismos do ecossistema monitoramento para conscientizar sobre a preservação desse ambiente e das espécies que vivem nele.
     
    Em épocas de alta do turismo, esses programas também são realizados em praça pública para amenizar os impactos da chegada de muitas pessoas à cidade.
     
    Somado a todos esses aspectos, o grupo também realiza ações de limpeza nas praias e capacitação dos responsáveis pelos quiosques da cidade para melhor uso dos resíduos e da destinação deles. Essas ações são todas pensadas em parceria com a Prefeitura Municipal de Arraial do Cabo, com o fim de buscar saber quais são as áreas mais afetadas pela ação do turismo, quais necessitam de zoneamento ou de projetos mais intensos de preservação e quais têm maior passagem de barco, por exemplo.
     
    A intenção dos pesquisadores é obter essas informações de base para conseguir saber melhor como gerenciar a região: “Fazemos a capacitação com o intuito da multiplicação. A gente capacita para que células levem para outras células. Por exemplo, é muito importante capacitar os professores porque não conseguimos atender todos os alunos da rede pública da região com as nossas atividades nas escolas, mas, se a gente capacita um professor, aquele professor pode passar aquele conhecimento para todas as escolas em que trabalha, então a gente leva para um e aquilo vai se amplificando”, avalia a bióloga.
     
    Arraial do Cabo trata-se de um ambiente muito sensível, especialmente a área do Costão Rochoso, por ser uma faixa de transição entre os territórios marinho e terrestre, e que vive uma situação muito complexa por conta do turismo intenso e pelo lixo produzido, além de todas as outras atividades econômicas e recreativas desenvolvidas no local. Todas essas ações têm múltiplos impactos nessa que é uma das “unidades de conservação mais visitada do país”, como define a pesquisadora do projeto.
     
    Para o professor Carlos Eduardo Leite Ferreira, o Projeto Costão Rochoso é relevante para o local justamente por incluir vários objetivos, que vão da pesquisa à capacitação. “Para a região, é bastante importante existir um apelo ecológico, mas também social, porque os objetivos na parte social auxiliam a gente a entender melhor as prioridades em termos de manejo de conservação.
     
    Não dá para gente manejar, conservar, a espécie se não tivermos alguma abordagem social também, então a gente tem que lidar com isso o tempo todo”, analisa.
     
    Além das atividades realizadas presencialmente, o Projeto Costão Rochoso possui uma série de canais para divulgação de informações. Para saber mais, é possível acessar o site desenvolvido para o programa: https://www.costaorochoso.com.br/inicio
     
    Fonte: UFF


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