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  • Athaydeville, o maior golpe imobiliário da história do Rio

    Da Redação em 25 de Abril de 2022    Informar erro
    Athaydeville (originalmente denominado Centro da Barra) foi um projeto de construção de residências, lojas e escritórios na Barra da Tijuca, lançado em 1969, que resultou em um dos maiores escândalos imobiliários do Brasil.
     
    Depois de grandes atrasos nas obras, reduções drásticas nas dimensões do projeto e pendências judiciais, ergueram-se três torres residenciais; uma delas, apesar de vendida a centenas de adquirentes, ainda aguarda ocupação.
     
    No fim da década de 1960, na sequência do lançamento do Plano Piloto da Barra da Tijuca, a Desenvolvimento Engenharia (empresa de Múcio Athayde) lançou o Centro da Barra, com projeto urbanístico de Lúcio Costa, na região então pouco explorada.
     
    Segundo o projeto oferecido pela Desenvolvimento, seriam construídas 76 torres residenciais cilíndricas de 36 andares, projetadas por Oscar Niemeyer, combinadas com áreas de comércio, lazer e serviços. O cronograma original previa a inauguração das primeiras unidades em 1974, e todas as obras estariam concluídas em 1980.
     
    No entanto, desde o começo várias falhas comprometeram o Centro da Barra. Sem conseguir apoio do governo da Guanabara para o cumprimento dos gabaritos do Plano Piloto, Lúcio Costa se desligou do projeto, e o tamanho reduzido dos apartamentos em forma de "fatia de pizza" desagradou muitos interessados.
     
    As obras da Torre H, iniciadas em 1970, foram paralisadas em 1972 por preocupações com a integridade da estrutura, sendo reiniciadas mais tarde.
     
    Diante dos atrasos nas obras, os mutuários devolviam suas cotas à Desenvolvimento por preço abaixo do mercado; essas cotas eram revendidas a outros mutuários, sem que essas transações fossem registradas em cartório. Essa manobra, exacerbada pela elevada inflação do período, teria gerado grandes lucros à Desenvolvimento.
     
    Por sua vez, Múcio Athayde publicava matérias pagas em jornais para declarar-se vítima de um bloqueio econômico do governo, que lhe dificultava o acesso a financiamentos do BNH em condições favoráveis.
     
    Renomeado Athaydeville no fim da década de 1970, o empreendimento foi reformulado e reduzido para quatro torres, mas continuou a controvérsia em torno da viabilidade do projeto. Em 1984, uma comissão especial de inquérito da Câmara Municipal do Rio de Janeiro chegou a recomendar à prefeitura que não renovasse licenças para construção de novas torres no Athaydeville diante de irregularidades no pagamento de impostos.
     
     
    Das quatro torres, três foram completadas e duas entregues:
     
    Torre Abraham Lincoln (Torre H) (Avenida das Américas, 1245). Construção inciada em 1970, paralisada em 1984, sem conclusão e sem habite-se;

    Torre Ernest Hemingway (Avenida Sernambetiba, 3400). Construção entre 1973 e 1977, não concluída pela Desenvolvimento; transferida à Encol, que a inaugurou em 1994;

    Torre Charles de Gaulle (Torre A) (Avenida das Américas, 1245), construída entre 1974 e 1990 e entregue pela Desenvolvimento aos adquirentes.
     
    Com 36 andares e 120 metros de altura, os três edifícios são até hoje as estruturas mais altas da Barra da Tijuca.
     
    Apesar dos problemas, o empreendimento continuou sendo oferecido em constantes campanhas publicitárias até a década de 1990.
     
    Restou desocupado o esqueleto da Torre H, que teve 250 de seus 454 apartamentos vendidos. Por cerca de um mês, em 2004, o edifício vazio chegou a ser ocupado por habitantes de uma favela próxima.
     
    A crise da invasão acelerou o processo de falência da Desenvolvimento Engenharia, decretada em 2005. 190 apartamentos da Torre H foram levados a leilão em 2007, e a Associação de Adquirentes da Torre H decidiu completar as obras com recursos próprios. As obras seguem indefinidas e, caso não seja reformado e ocupado regularmente, o edifício corre o risco de ser implodido.
     
    Fonte: Wikipédia


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      • Comentário do post Francisco Carlos Amado:
        A novela O Espigão se baseava em paarte nesse escândalo. Nunca mais se reprisou aquela novela, no minimo algo inusitdo até hoje! Ainda hoje tenho acá umas dúvidas sobre A Globesteira....

      • Comentário do post Thiago Forgan:
        Podiam expor também o golpe que os sócios do clube caça e pesca na barra da Tijuca ao vencerem o clube para a Cabral Garcia e ela ter transferido para a Calçada sem pagar a dívida aos sócios! Esse também foi um enorme golpe no mercado imobiliário!

      • Comentário do post Geraldo LOBO:
        O MUCIO ATHAIDE, vangloria-se de seu espírito vigarista que data dos dias de Brasília, quando não pagou à Cia Cerâmica Brasileira - CCB os milhares de metros quadrados de pastilhas de revestimento dos edifícios Marcia e Maristela, lá em Brasília. A CCB foi à falência por essas e outras.


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