Num domingo 14 de agosto de 1955, no início da noite, um incêndio destruiu a boate Vogue em Copacabana, então a mais chique do Rio e comoveu a cidade. Tudo começou com um curto circuito nas tubulações do aparelho de ar condicionado da boate provocando centelhas que atingiram a cozinha, e os depósitos de óleo até atingir a tubulação de gás levando explosões e fogo a todos os andares do prédio.
Três homens, em desespero, atiraram-se do prédio e várias outros ficaram feridos. O casal Valdemar e Glorinha Schiller morreu carbonizado. Até um helicóptero foi usado para tentar salvar as pessoas que ser refugiaram no terraço. O prédio, também chamado Vogue, era um antigo hotel que foi vendido para abrigar apartamentos.
Uma escada "Magyrus" chegou até o sétimo andar, mas não conseguiu resgatar quem estava preso no terraço. Os jornais da época ressaltam que não faltou água para combater as chamas, mas mangueiras. Com isso, o fogo se alastrou pela rede de gás e todos os apartamentos foram incendiados.
O joalheiro Werner Hirschfeld morava no apartamento 902 e perdeu dois milhões de cruzeiros, joias, roupas e obras de arte.
O edifício pertencia ao industrial Francisco Atalaia que se encontrava em viagem de negócios a Lisboa. O dono da boate, Barão Von Stuckart, estava em Buenos Aires.
Entre as vítimas, o jornalista Raul Martins e o cantor norte-americano Warren Hayes que tinha se apresentado na véspera na Vogue. Ele estava no apartamento 1003 e com as labaredas tomando conta acenava da janela. Acabou se jogando esbarrando na escada Magyrus até atingir o chão.
Terminava assim tragicamente um lugar que marcou época no Rio de Janeiro de 1946 até o incêndio. Menos de um ano depois o prédio era demolido para dar vez a extensão da Av. Princesa Isabel.
O curioso é que na véspera tinha sido enterrada na cidade sob grande comoção a cantora Carmem Miranda.