Se estivesse vivo, Millôr Fernandes estaria completando 100 anos nesta quarta 16 de agosto. Escritor, desenhista, tradutor, poeta, compositor, filósofo, dramaturgo, humorista, um artista de multitalentos e uma pessoa genial.
Com passagem marcante pelos veículos impressos mais importantes do Brasil, Millôr é considerado uma das principais figuras da imprensa brasileira no século XX.
Carioca do Méier, nascido em 1923, filho de um imigrante espanhol, ficou órfão aos 12 anos de idade. Foi criado pela avó e já aos 14 anos começou a escrever e desenhar para a Revista O Cruzeiro. Autodidata em inglês passou a traduzir histórias em quadrinhos até se destacar com exímio desenhista.
Ao longo de sua vida escreveu e desenhou para diversos jornais e revistas como O Cruzeiro, O Pasquim, Jornal do Brasil, Veja, Isto É, Estado de São Paulo, O Dia, Correio Brasiliense e a Folha de São Paulo. Millôr também escreveu vários livros, peças teatrais, crônicas e diversos livros.
Sua carreira foi marcada pelo humor sarcástico, inteligente e, principalmente, de livre pensar. Suas obras são tão atuais e divertidas que em qualquer tempo são certeza de boa leitura.
Para quem quer conhecer um pouco do seu estilo, o livro "Millôr definitivo – a bíblia do caos" é uma ótima dica. Com 5.142 frases que marcaram a história, o livro mostra uma síntese do pensamento do escritor.
Alguns fatos da sua vida bem poderiam ser uma de suas histórias de humor, como ter descoberto aos 18 anos que seu verdadeiro nome não era Milton, mas Millôr. Segundo a jornalista Cora Ronái, que conviveu com Millôr por mais de 30 anos, foi no alistamento militar que se deram conta do erro. O nome, escrito com uma letra rebuscada na certidão de nascimento, fez a confusão. E assim, de um dia para o outro, Milton virou Millôr.
Algumas de suas famosas frases:
- Todo homem nasce original e morre plágio.
- A morte é compulsória, a vida não.
- Amor não é coisa para amador.
- A boca é o aparelho excretor do cérebro.
- Errando é que se aprende a errar.
- A vida seria muito melhor se não fosse diária.
- O político é um gaiato que prefere a aversão ao fato.
Millôr Fernandes faleceu no dia 27 de março de 2012 em sua residência no Rio de Janeiro.
DICA: Com direção de Ernesto Piccolo e o divertido trio de atores Paula Barros, Bruno Ahmed e Bruno Suzano,
a peça "A História é uma Istória", com texto do Millôr, reestreia nesta sexta uma curta temporada no Teatro Glauce Rocha em celebração ao seu centenário. Vale conferir a atualidade da história e seu humor!