Contratado em 1944 pela família Guinle para reformular e modernizar as atrações do Copacabana Palace Hotel, o Barão austríaco Max Von Stuckart acabou se tornando o Rei da Noite no Rio de Janeiro durante mais de uma década.
Como novo diretor artístico do hotel, introduziu novidades tanto na programação como na gastronomia da boate Meia-Noite que, como o nome diz, só abria neste horário e fechava ao raiar do dia.
Von Stuckart vestia-se de forma muito elegante usando ternos ingleses, gravata borboleta e óculos tartaruga. Ele assegurava ter servido como tenente da aviação austríaca na Primeira Guerra Mundial e após ser abatido em combate, milagrosamente sobreviveu e decidiu mudar para o ramo da hotelaria.
A boate atraía a nata da política e economia da capital federal e da jogatina nos cassinos. Ciente de que os clientes gostavam de jantar durante a madrugada, Von Stuckart introduziu no cardápio da casa nada menos do que o famoso picadinho que teria copiado de um restaurante popular da Lapa. O prato consistia em carne de primeira picada e temperada com cebolinha, louro, sálvia, segurelha, alecrim e manjericão, além dos convencionais sal, pimenta, tomates machucados e manteiga.
Consta que ele criou ainda o Frango à Kiev, o molho Béarnaise e o também famoso estrogonofe que era uma versão melhorada do picadinho ao acrescentar creme de leite e champignon.
Com a proibição dos Cassinos, o Barão de Von Stuckart abriu em 1947 a famosa boite Vogue que seria destruída por um incêndio em 1955. O local virou o "point" da riqueza do Rio de Janeiro de então.
Depois da tragédia, não demorou a ser contratado pela Varig para reformular a cozinha com um cardápio sofisticado que incluía lagosta e camarão preparados sob a supervisão do chef russo Gregório Berezanski.
O Barão nunca se casou. Segundo o escritor Ruy Castro, no livro “A noite do meu bem”, Von Stuckart era homossexual, mas só os mais atilados percebiam”. Sua data de nascimento era imprecisa, para alguns 1896 e para outros 1900. Seu falecimento não consta nos registros disponíveis na internet.
Fonte: Ruy Castro/Biblioteca Nacional