Em visita à Escadaria Selarón em julho deste ano, o influencer saudita Thawab viralizou um vídeo ao descobrir entre os azulejos a saudação islâmica "Alá é Vitorioso" no chão da escadaria. O fato é considerado ofensivo à religião e o influencer está disposto a liderar uma campanha para arrecadar R$ 3 milhões para a restauração completa do conjunto, desde que o azulejo seja realocado na parede.
Ainda não há autorização para a mudança do azulejo por parte do IRPH, então não há recursos para a restauração.
A questão é que a Prefeitura é omissa em relação à Escadaria, duplamente, pois a desordem do espaço urbano lá e nós arredores é imensa - moradores de rua, lixo, ambulantes e com o bem tombado municipal - tem azulejos "invasores" sendo postos por famílias e empresas estrangeiras e nada é feito para mitigar.
O Projeto de restauração é um capítulo de um grande plano de gestão e governança para o espaço. Tem uma série de etapas necessárias para a concretização da restauração - o inventário de cada azulejo, que a Liga de Guias de Turismo (Liguia) já fez com recursos de um matchfunding com o BNDES (1/3 de 449 contribuintes e 2/3 do BNDES). Isso foi quase 150 mil reais.
Agora é necessário o mapeamento de danos, a elaboração de projeto executivo de restauração, a obra em si e foi idealizado um programa de educação patrimonial para mediar o que está sendo feito ali - tanto para os moradores quanto para escolas e turistas.
No decorrer desse processo será criado um fundo patrimonial (endowment) para o lugar não depender de recursos públicos. Pela lei brasileira é necessário a criação de uma OGFP - Organização Gestora do Fundo Patrimonial e de uma entidade finalistica - a Fundação Selarón, que era o sonho do artista.
Como a Escadaria é tombada pelo município do Rio de Janeiro, a autorização emana no órgão de tutela do patrimônio cultural carioca, o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade, que tem um órgão colegiado que é o Conselho de Proteção ao patrimônio cultural que define alterações e adequações (q seria o caso) dos bens culturais tombados pelo município do Rio de Janeiro.
Os sauditas e outros povos muçulmanos do Oriente Médio se comprometem a arcar com os recursos apontados no Projeto da Liguia para a restauração desde que seja autorizada a realocacao do azulejo do espelho do degrau para uma parede da Escadaria.
O próprio influencer se comprometeu a buscar os recursos em empresas sauditas ou iniciar um crowdfunding, que ele mesmo disse que em uma semana fecharia os recursos.
Fonte: Liguia