Que história é essa? Como um marquês mineiro virou o nome do maior palco do Carnaval do planeta?
A Avenida Marquês de Sapucaí, o templo do samba carioca, tem esse nome em homenagem a Cândido José de Araújo Viana, o Marquês de Sapucaí. Mas aqui vai um detalhe curioso: a relação dele com o samba é absolutamente nenhuma, mas ele chegou bem antes ao local onde é hoje a Passarela que leva seu nome.
Quando faleceu, em 1875, a rua onde hoje brilham os desfiles das escolas de samba recebeu seu nome. Antes disso, a região abrigava a fábrica da Brahma, que ocupava parte do que hoje são as arquibancadas da cidade do samba. Mas, afinal, quem foi esse marquês?
Natural de Nova Lima (MG), nascido em 1793, ele foi um desembargador e político influente no século XIX. Ministro da Fazenda, Ministro da Justiça, Conselheiro de Estado, deputado geral, presidente de província e senador entre 1840 e 1875, eleito por Minas Gerais. E mais: de 1851 a 1853, ocupou a presidência do Senado. O homem era poderoso!
Com formação em Direito, foi deputado constituinte em 1823 e teve três mandatos representando Minas Gerais. Presidiu as províncias de Alagoas e Maranhão, foi procurador da Coroa, fiscal do Tesouro, ministro do Supremo Tribunal de Justiça e membro do Conselho de Estado desde sua criação.
Em 1839, foi nomeado mestre de literatura e ciências positivas de D. Pedro II, o herdeiro do trono. Mais tarde, também cuidou da educação da Princesa Isabel. Como Ministro do Império, referendou a lei que concedia aos senadores o tratamento solene de "Sua Excelência".
Foi condecorado como dignitário da Imperial Ordem de Cristo e da Rosa, além de Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, e da Legião de Honra. Em 1854, recebeu o título de visconde e, em 1872, o de marquês. Também era Conselheiro de Sua Majestade, Gentil-Homem da Imperial Câmara e Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.
E para fechar com chave de ouro: em 2016, a Beija-Flor de Nilópolis o homenageou com o enredo "Mineirinho Genial! Nova Lima – Cidade Natal. Marquês de Sapucaí – O Poeta Imortal!".
Quem diria que um marquês de Minas Gerais viraria parte fundamental da história do Carnaval carioca? No fim das contas, o marquês chegou antes.