A Mangueira escolheu como samba a letra de Deivid Domênico em parceria com Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino. A música faz homenagem a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada junto com seu motorista em março deste ano, no Centro do Rio. A Mangueira contará a “História Pra Ninar Gente Grade” em 2019, enredo de autoria do carnavalesco Leandro Vieira.
Em entrevista ao Bafafá, Tomaz Miranda, jovem sambista tarimbado e intérprete do bloco Simpatia É Quase Amor, fala da emoção de ter o samba campeão da verde-rosa.
Qual foi a inspiração para compor o samba campeão?
A inspiração foi a sinopse que o Leandro escreveu. O enredo é muito rico. Muito bonito. Estamos muito felizes e emocionados. Ter nosso samba escolhido pela mangueira é motivo de honra pra nós. E pra mim especialmente como mangueirense, motivo de muita emoção.
Quer dedicar o título a alguém?
Muito obrigado a todo mundo que torceu pela gente. Nossa torcida foi um amuleto nesse processo de escolha do samba da Mangueira 2019. Vocês cantaram muito e muito bonito. Quero agradecer aos meus parceiros pelo convite e pela confiança. Sou Mangueirense, sempre torci pela Mangueira, amo carnaval e escola de samba. Não sou cria da escola. De nenhuma escola. Sou fã, admirador como músico e como cidadão que se interessa pelas coisas do Brasil. Nem nos meu melhores sonhos eu pensei em um dia ganhar um samba na minha escola do coração.
Qual é a essência desse samba?
Esse samba é uma homenagem a todos os que lutaram e resistiram contra a barbárie e a opressão. Contra o sequestro dos povos de África, contra a escravidão. Pela abolição. Contra as ditaduras. Dedicamos a cada um que se colocou à disposição para construir um Brasil justo.
Já disputou sambas em blocos?
Já compus alguns sambas pra bloco. Mais perdi do que ganhei. Mas é outra coisa. Outro clima e outro sentimento. O que vivi nesse processo da mangueira até o campeonato é algum novo. Muito diferente. Valeu a pena.
Foto: Eduardo Sarmento/Divulgação