Com curadoria de Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho, a Galeria Patrícia Costa realiza exposição com obras inéditas do artista Paiva Brasil, falecido recentemente.
Sintéticas e eloquentes, as obras mais recentes produzidas por Paiva Brasil, durante os últimos dois anos em que ficou isolado em seu atelier, foram reduzidas a poucas formas e a poucas cores, trazendo a síntese dos seus trabalhos de longos anos, buscando a simplicidade e a delicadeza na geometria com o máximo de expressão.
São 22 quadros-objetos, a maioria deles em pequenos formatos, todos constituídos de módulos coloridos que se acoplam, como num jogo de armar e desarmar, soltos no espaço, como pequenas pipas, que anseiam por voar.
Ao longo de seus 65 anos de carreira, Paiva Brasil desenvolveu um trabalho singular, onde se pode ressaltar a economia de elementos, as curvas e as retas, tirando desses elementos o máximo de possibilidades lúdicas. Com esses trabalhos realizou várias exposições individuais, e inúmeras exposições coletivas, obtendo vários prêmios.
Suas obras fazem parte de grandes coleções, tais como a de Gilberto Chateaubriand, Museu Nacional de Belas Artes, MAM de São Paulo, Museu de Arte Contemporânea de Niterói, dentre outros.
Discreto e sensitivo, nascido em Campos dos Goytacazes, estado do Rio de Janeiro, Paiva faz parte, por tradição e direito, de nossa primeira geração construtivista. Ainda que não estando vinculado formalmente a nenhum dos movimentos abstrato-geométricos, poderia ter-se filiado ao Grupo Frente na tradição de Rubem Ludolf, João José ou Décio Vieira.
Participante de Bienais e diversos Salões Nacionais, dentre os quais se destaca o III Salão Nacional de Arte Moderna (salão Branco e Preto), premiado com viagem ao exterior no I Salão Nacional de Artes Plásticas (Rio de Janeiro), Paiva desenvolveu um léxico próprio e consistente. Sem ser adepto de um evolucionismo fácil, construiu um caminho onde sugere muitas possibilidades. Com elegância transmutou a forma, elegeu cores.