A artista visual e grafiteira Juliana Fervo levou sua arte urbana ao México, onde está criando o mural “Pertencimento”, na Universidad de las Artes de Aguascalientes.
A iniciativa é realizada em articulação com o Instituto Cultural de Aguascalientes, no âmbito do programa “Loco Por Ti, América 2026”, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ).
Com 21 m², a obra será adaptada às características do espaço e executada em técnica mista, com tinta acrílica para exterior e spray para graffiti. A criação leva para a paisagem urbana mexicana referências ligadas a território, memória, identidade, ancestralidade e protagonismo feminino.
Em “Pertencimento”, Juliana parte de sua própria trajetória para construir uma narrativa sobre as marcas que os territórios deixam em quem os habita. Paisagens, códigos urbanos, memórias coletivas e referências culturais se transformam em elementos de um diálogo entre as origens que recebemos e as identidades que construímos.
Embora já tenha participado de exposições coletivas internacionais, esta é a primeira vez que a artista assina um mural fora do Brasil. A experiência representa uma conquista profissional e a oportunidade de compartilhar com o público mexicano uma produção marcada por suas origens, vivências e referências culturais.
“Me sinto feliz e honrada por alcançar mais uma meta na minha carreira. Os mexicanos podem esperar uma obra carregada de identidade e narrativas que celebram a ancestralidade, a minha vivência e a potência das mulheres. O que me move é a possibilidade de contar minha história de vida, valorizando territórios e pertencimentos. Minha arte também é uma ferramenta de representatividade, artivismo, visibilidade, transformação e cura”, afirma Juliana.
Do interior de Pernambuco à Zona Norte do Rio
Nascida em Pernambuco e criada na comunidade das Cinco Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Juliana Fervo iniciou sua trajetória no graffiti em 2003. Desde então, desenvolveu uma produção que transita pela pintura, ilustração, muralismo, curadoria e arte-educação.
Sua pesquisa artística valoriza a visibilidade de mulheres e das populações negras, periféricas e LGBTQIAPN+, incorporando experiências, referências culturais e questões sociais dos territórios populares.
Juliana possui formação em Direitos Culturais e Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Comunicação Crítica e Publicidade Afirmativa pela ESPOCC, do Observatório de Favelas.
Sua trajetória reúne a experiência construída nas ruas e nos territórios periféricos do Rio a uma pesquisa que compreende a cultura como ferramenta de expressão, representatividade e transformação.