A exposição “Mata Viva”, em cartaz no CRAB – Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro, foi prorrogada até o dia 13 de junho e segue como uma das mostras mais comentadas da cena cultural carioca em 2026.
Reunindo 259 obras de 64 artistas de 24 estados brasileiros, a exposição propõe uma travessia sensorial pelos biomas do país, conectando arte popular, território, ancestralidade e crise ambiental.
Com curadoria de Jair de Souza e Jorge Mendes, “Mata Viva” atravessa Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica em um percurso imersivo que transforma o espaço expositivo em uma grande instalação viva. Logo na entrada, o visitante é envolvido por sons e imagens de incêndios florestais, em uma experiência que remete à devastação ambiental e ao colapso dos ecossistemas brasileiros.
A exposição propõe então uma mudança de atmosfera: a vida ressurge simbolicamente na imagem de uma criança indígena celebrando o Kuarup, ritual ancestral do Alto Xingu ligado à continuidade e à memória. A partir daí, a mostra se desdobra em narrativas sobre resistência, regeneração e permanência.
As obras utilizam materiais como madeira, fibras, sementes, tecidos e argila, reforçando a relação direta entre arte e natureza. A proposta também reposiciona a arte popular brasileira como produção contemporânea, afastando leituras folclóricas e aproximando o fazer artesanal de debates urgentes sobre identidade, preservação ambiental e modos de vida tradicionais.
Um dos destaques da mostra é a cenografia construída manualmente para a exposição. O ambiente foi transformado com árvores erguidas artesanalmente e cerca de 2 mil metros quadrados de paredes e pisos pintados à mão. O projeto cenográfico criado por Jair de Souza foi executado pela equipe liderada por Leandro Assis, responsável também por alegorias de grandes escolas de samba do Rio de Janeiro, incluindo a campeã Unidos do Viradouro.
O trabalho foi desenvolvido durante três meses em um barracão em Bangu, reunindo esculturas, pinturas e experimentações visuais inspiradas nos cinco biomas brasileiros. A mostra ainda incorpora intervenções de artistas e artesãos ligados ao universo das escolas de samba, ampliando o diálogo entre arte popular, carnaval e artes visuais.
Ao longo da exposição, frases de lideranças indígenas como Ailton Krenak e Davi Kopenawa reforçam o caráter político da mostra, que trata a crise ambiental como uma realidade urgente e coletiva.
Mais do que uma exposição tradicional, “Mata Viva” se apresenta como uma experiência imersiva sobre o Brasil contemporâneo, articulando cultura, território e futuro em uma narrativa visual marcada por destruição, renascimento e resistência.