O cantor e compositor carioca Qinhones estreia o show “Doce Dioniso – Qinhones canta Mautner”, novo projeto dedicado à obra de Jorge Mautner, um dos nomes mais singulares da música e do pensamento brasileiro. A apresentação marca a celebração dos 85 anos do artista homenageado e propõe uma leitura contemporânea de sua poética musical, filosófica e política.
Após o reconhecimento obtido com o tributo a Marina Lima — além de trabalhos autorais como o EP Gota e o álbum Centelha —, Qinhones volta seu olhar agora para o universo “pós-tropicalista” de Mautner. O repertório percorre canções consagradas como “Lágrimas Negras” e “Samba Jambo”, eternizadas por intérpretes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Chico Science, ao lado de faixas menos conhecidas, cultuadas por músicos e DJs no Brasil e no exterior.
Artista do limiar entre o erudito e o popular, Jorge Mautner construiu uma trajetória marcada pela ironia afiada, pelo pensamento crítico e pela fusão de linguagens. Intelectual, músico e escritor, publicou 12 livros e venceu o Prêmio Jabuti ainda jovem, com Deus da Chuva e da Morte. Essa dimensão múltipla atravessa o espetáculo, que incorpora intervenções textuais do próprio Mautner e de autores que influenciaram sua obra, como Friedrich Nietzsche, ampliando a experiência para além da música.
Apaixonado pelas raízes culturais brasileiras, Mautner sempre transitou entre o samba e o rock, o candomblé e o pensamento zen, o desbunde e a crítica política — uma amálgama que encontra eco na abordagem de Qinhones. O título do show faz referência direta à devoção do compositor a Dioniso, deus grego da música, da embriaguez e da sensualidade, eixo conceitual que estrutura o espetáculo.
Com ênfase nas percussões e na condução rítmica do violão, “Doce Dioniso” é calcado no samba-rock e no brazilian groove. No palco, Qinhones é acompanhado por Bruno Di Lullo (baixo e direção musical), Rafael Rocha (bateria), Mafram do Maracanã (percussão) e Antonio Fischer-Band (teclados), além da participação especial de Letrux.
Reconhecido pela crítica por sua capacidade de se apropriar das canções sem perder identidade, Qinhones construiu uma trajetória sólida na cena independente carioca. Com quase duas décadas de carreira, já passou por importantes festivais e dividiu o palco com nomes expressivos da música brasileira. Em 2026, além do tributo a Mautner, o artista prepara um novo álbum de inéditas.