Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais desenvolvem, desde 2015, um imunizante experimental que pode se tornar o primeiro composto terapêutico voltado à dependência de cocaína e crack.
Batizada de Calixcoca, a vacina concluiu etapas pré-clínicas com resultados de segurança e eficácia em modelos animais e agora entra na fase de planejamento para os primeiros testes em humanos.
A vacina entrou na fase de preparação documental para o início dos testes clínicos em humanos.
O projeto é coordenado pelo professor Frederico Duarte Garcia, da Faculdade de Medicina, e reúne uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da universidade.
A proposta do imunizante é induzir o sistema imunológico a produzir anticorpos que se ligam à molécula da cocaína na corrente sanguínea. Ao formar um complexo maior, a substância não consegue atravessar a barreira hematoencefálica e, assim, não alcança o sistema nervoso central, reduzindo os efeitos psicoativos da droga.
Em 2023, a UFMG firmou acordo com o Governo de Minas para um aporte de R$ 10 milhões, viabilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pela Secretaria de Estado de Saúde. O recurso é destinado à preparação da fase clínica. O projeto também recebeu 500 mil euros ao vencer o Prêmio Euro Inovação na Saúde, valor direcionado ao avanço da pesquisa.
A Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa atua no suporte administrativo e financeiro, auxiliando na aquisição de insumos, materiais e bolsas para os pesquisadores envolvidos. Paralelamente, a Coordenadoria de Transferência e Inovação Tecnológica da universidade trabalha na proteção da tecnologia e na busca de parceiros para eventual licenciamento.
Atualmente, não existem medicamentos registrados por agências regulatórias especificamente para o tratamento da dependência de cocaína e crack. As abordagens disponíveis concentram-se em terapias comportamentais e medicamentos de suporte sintomático. Nesse cenário, a Calixcoca é estudada como uma possível ferramenta complementar para reduzir recaídas e apoiar processos de reinserção social de pacientes em tratamento.
Fonte: UFMG