Seis anos após encerrar as atividades como uma das boates mais conhecidas da noite carioca, o imóvel da antiga Barbarella reabre preservando seu nome e sua memória. O endereço passa a funcionar como local para eventos e hospedagem, mantendo viva a história de um dos símbolos da vida noturna do Rio.
Em 1968, o cineasta francês Roger Vadim levou aos cinemas Barbarella, estrelado por Jane Fonda. Inspirada na personagem dos quadrinhos criada por Jean-Claude Forest, a produção transformou a atriz em um ícone de sensualidade e acabou influenciando o nome da famosa casa noturna carioca.
Inaugurada em 1976, na Avenida Prado Júnior, em Copacabana, a Barbarella rapidamente se tornou um dos principais pontos de encontro da boemia da cidade. Durante mais de quatro décadas, artistas, empresários, turistas e frequentadores da noite passaram por seus salões, que também receberam apresentações musicais e espetáculos. As atividades foram encerradas em junho de 2020, durante a pandemia.
O imóvel inicia agora uma nova etapa. Totalmente restaurado, o edifício de sete andares foi transformado em um empreendimento que reúne espaço para eventos e hospedagem de curta duração.
A revitalização contou com projeto arquitetônico de João Calafate, responsável por obras como o Teatro Poeira e o Centro Cultural João Nogueira. O projeto de iluminação foi desenvolvido por Maneco Quinderé e o paisagismo leva a assinatura de Burle Marx.
Além da hospedagem, o empreendimento aposta no segmento de eventos corporativos e sociais. O salão ocupa 377 metros quadrados distribuídos em dois pavimentos integrados, com capacidade para receber até 540 pessoas. O espaço foi planejado para sediar convenções, palestras, treinamentos, workshops, lançamentos de produtos, confraternizações e encontros institucionais, além de casamentos, aniversários e festas de 15 anos.
A estrutura conta com ambientes climatizados, iluminação adaptável para diferentes formatos de evento e áreas destinadas ao networking, ativações de marcas e registros fotográficos. Um dos diferenciais é a integração entre o salão e as unidades de hospedagem, permitindo que palestrantes, convidados e organizadores tenham acesso direto aos apartamentos.
O edifício dispõe de 17 apartamentos e uma cobertura premium. As unidades variam entre estúdios de 30 a 75 metros quadrados, com diárias entre R$ 600 e R$ 1.800. Todo o prédio é equipado com tecnologia de automação, incluindo portaria digital e sistemas inteligentes de acesso.
Antes da reforma, Doulglas Drummond administrava o Hotel Chili, na Lapa, experiência que serviu de base para o novo modelo de negócios, voltado a hóspedes que desejam permanecer próximos às atrações culturais e à vida noturna de Copacabana.
Ao longo de sua história, a Barbarella recebeu personalidades como Tim Maia, Luiz Carlos Miele, Carlos Imperial e integrantes da banda U2. A casa também foi eternizada por Cazuza na canção Só as Mães São Felizes, consolidando seu lugar na memória da noite carioca.