A cientista brasileira Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja e integrante da diretoria da Academia Brasileira de Ciências, foi incluída pela TIME na lista das 100 pessoas mais influentes de 2026.
A publicação destacou o impacto das pesquisas desenvolvidas pela cientista no uso de microrganismos do solo para reduzir a dependência de fertilizantes químicos na agricultura.
O reconhecimento cita a adoção da tecnologia em cerca de 85% da produção de soja no Brasil, com reflexos em outros países. As soluções baseadas em fixação biológica de nitrogênio proporcionaram economia estimada de US$ 25 bilhões por ano aos agricultores brasileiros e evitaram a emissão de aproximadamente 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente.
Mariangela aponta que o reconhecimento amplia a visibilidade do uso de insumos biológicos na agricultura e reforça o papel do Brasil como referência nesse campo. Sua trajetória foi inspirada pela pesquisadora Johanna Döbereiner, referência internacional em estudos sobre fixação biológica de nitrogênio.
Ao longo da carreira, Mariangela desenvolveu dezenas de tratamentos biológicos aplicados não apenas à soja, mas também a culturas como feijão, milho e trigo, substituindo total ou parcialmente fertilizantes sintéticos por microrganismos com propriedades como síntese de fitormônios e solubilização de nutrientes do solo.
Em 2023, recebeu o World Food Prize, prêmio internacional considerado o principal reconhecimento na área de alimentação e agricultura. Também foi listada entre os 100 mil cientistas mais influentes do mundo em levantamento da Stanford University.
Formada em engenharia agronômica pela Esalq/USP, com mestrado e doutorado em ciência do solo, a pesquisadora iniciou a carreira na Embrapa Agrobiologia, em Seropédica, e desde 1991 atua na Embrapa Soja, em Londrina. Também leciona na Universidade Estadual do Paraná e na Universidade Federal de Tecnologia do Paraná.
Fonte: Academia Brasileira de Ciências