Parte da paisagem urbana do Rio de Janeiro, os Centros Integrados de Ensino Público (Cieps) — também conhecidos como Brizolões — completam 40 anos em 2025.
Com seus edifícios retangulares de concreto, pátios amplos e janelas com bordas arredondadas, os Cieps marcaram uma mudança significativa no debate sobre a educação pública no Brasil ao introduzirem o modelo de escola em tempo integral.
Idealizado na década de 1980, o projeto foi concebido pelo antropólogo e ex-ministro da Educação Darcy Ribeiro, então secretário extraordinário de Ciência e Cultura no governo de Leonel Brizola. A arquitetura ficou a cargo de Oscar Niemeyer, que desenhou prédios considerados monumentais para os padrões educacionais da época.
O modelo foi oficialmente anunciado em 1º de setembro de 1984. Poucos meses depois, em 8 de maio de 1985, foi inaugurado o primeiro Ciep — o Presidente Tancredo Neves — no bairro do Catete, Zona Sul do Rio, com a presença do presidente José Sarney, recém-empossado após a morte de Tancredo.
Os Cieps ofereciam educação em tempo integral, das 8h às 17h, com refeições, atendimento médico e odontológico, além de espaço aberto à comunidade nos fins de semana e nas férias. Havia ainda estrutura para acolher temporariamente estudantes em situação de vulnerabilidade.
Entre os dois mandatos de Brizola à frente do governo estadual (1983–1987 e 1991–1994), foram entregues 506 unidades. O projeto exigia investimento pesado, formação de professores e integração com outras áreas como saúde e assistência social, o que gerou críticas e ajustes ao longo do tempo. A partir de governos posteriores, muitas dessas atribuições foram transferidas para outras pastas.
Hoje, os Cieps estão distribuídos entre as redes municipal, estadual e federal. Só o município do Rio é responsável por 101 unidades. No entanto, o modelo original de ensino integral não se mantém em todas elas. Algumas escolas se transformaram em Escolas de Novas Tecnologias e Oportunidades (E-Tecs), outras adotaram modelos interculturais ou cívico-militares, em parceria com a Polícia Militar ou o Corpo de Bombeiros.
Apesar das transformações, a proposta original continua sendo referência. Para a professora Lia Faria, da Faculdade de Educação da UERJ, que trabalhou ao lado de Darcy Ribeiro, o projeto reforçava o papel da escola pública como direito fundamental.
“A grande marca do projeto do Darcy, do Brizola, do Oscar Niemeyer, é colocar no centro da construção da sociedade o direito à educação pública — e não qualquer escola, mas uma escola digna, bem equipada, em que as crianças se sentissem acolhidas”, afirma.
Quatro décadas depois, o legado dos Cieps segue vivo no debate educacional brasileiro.
Fonte: Agência Brasil