Localizado no Largo da Carioca, no Centro do Rio, o Convento de Santo Antônio costuma lotar todo dia 13 de junho, data em que se celebra o santo conhecido por ajudar aqueles que buscam o casamento.
No ano passado, mais de 30 mil pessoas estiveram nas tradicionais festa e missa do lugar. Em 2020, porém, a paróquia teve que promover mudanças inéditas por conta da pandemia do novo coronavírus.
Desde março, o Cardeal Dom Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, informou que a saúde pública é prioridade da instituição e, por isso, todas as missas das igrejas no estado são celebradas sem nenhum fiel e transmitidas pela internet. Com a tradicional trezena de Santo Antônio, realizada há 338 anos, também não foi diferente, já que o convento vem exibindo as missas por Facebook e YouTube.
À frente do convento, Frei José Pereira reiterou que, de fato, o formato aderido é o mais seguro às pessoas que frequentam e trabalham no local, já que a idade da maioria dos padres da paróquia é superior a 70 anos e, portanto, integram o grupo de risco da Covid-19.
— Foi a única solução que encontramos, porque nós estamos inteiramente limitados, de porta fechadas. O que nós mais lamentamos é pela comunicação com o povo, porque o Convento de Santo Antônio é referência de confissão da Arquidiocese. Muitos padres indicam para o atendimento aqui. Essa situação (isolamento social) nos constrange, mas temos que pensar também na situação tão difícil, embaraçosa e constrangedora que tanta gente vive nos morros e favelas — diz o Frei.
Neste mês, o Convento comemorou 412 anos de existência e, apesar do funcionamento estar limitado por conta da pandemia, o espaço ainda tenta estar ligado ao aspecto social da cidade. De acordo com o Frei José, no portão do local são distribuídas, por dia, cerca de 400 quentinhas à população em situação de rua do Centro. Mas a festa presencial vai fazer falta.
— Eram mais de 30 mil pessoas que vinham no Convento no dia 13 de junho, o que era uma motivação muito especial, porque aqui é uma referência para a história do Rio de Janeiro. Quem subia por um lado não tinha mais como voltar, tinha que descer pelo outro lado, de tão cheio que ficava — relembra o Frei.
Sem o tradicional pãozinho
A tradição do dia de Santo Antônio faz falta para o extenso grupo de fiéis, principalmente os que eram voluntários na festa do convento. O pãozinho que simboliza a fartura e a tradicional canjica não está mais na programação, e os pedidos para a missa agora são enviados como pelo WhatsApp. Voluntária de carteirinha há anos, Fátima Rodrigues tem feito toda a trezena em casa, mas admite que, apesar de dedicada, está com o coração partido.
— Esse ano vai ser diferente, o que é uma lástima. A preparação da festa começa uns quatro meses antes, com todo o empenho das voluntárias fazendo as mensagens, embalando o pãozinho, preparando a canjica, congelando, armazenando, para, no dia anterior, preparar tudo. São mais de 300 quilos de canjica. Tudo é em uma proporção gigantesca — conta Fátima:
— Tudo ali é muito tradicional e tem um significado muito forte com a data. É como no Natal, que todo mundo espera para comer rabanada. Hoje (dia 12) já teria um movimento muito grande, por causa do Dia dos Namoroados, onde se pode ver o romantismo e a ternura — diz ela, emocionada e com ar de saudade.
As missas são transmitidas ao vivo e ficam disponíveis para visualização na página Convento de Santo Antônio, no Facebook, e no canal
Convento de Santo Antônio Largo da Carioca, no YouTube. Hoje, a data será celebrada às 8h, 10h, 12h, 15h e 18h. Às 17h, acontece a benção de Santo Antônio.
Fonte: Extra