O prefeito do Rio de Janeiro disse que o decreto assinado governador Wilson Witzel (PSC) liberando jogos de futebol e o funcionamento de bares, restaurantes e shoppings traz 'insegurança jurídica' e cria dúvidas para a população.
Segundo Crivella, as regras apresentadas pelo estado são apenas orientações e que somente a prefeitura pode determinar a reabertura desses setores. O G1 mostrou, neste sábado, que a orla do Rio ficou movimentada depois de governo flexibilizar medidas restritivas.
"O decreto do governo traz, de certa forma, uma insegurança jurídica. Quem lê vai entender que são recomendações e não determinações. As pessoas podem se confundir (...) Eu pediria a todos para que não abrissem [bares e restaurantes]. Vamos aguardar a reunião do Conselho Cientifico e esperar uma definição", afirmou Crivella.
O prefeito prometeu se reunir com o Conselho Científico do Rio no domingo (7) para avaliar cada item do decreto e decidir o que será reaberto a partir de segunda-feira (8).
"Na realidade, o decreto do governador é uma mera recomendação. Se tiver um conflito aparente, deve prevalecer as recomendações da prefeitura", explicou o procurador geral do Município, Marcelo Marques.
Crivella também esclareceu, por exemplo, que bares, shoppings, restaurantes que abrirem neste domingo serão notificados pela Prefeitura.
Divergência
Segundo o prefeito do Rio, a coletiva de imprensa deste sábado (6), no Riocentro, na Zona Oeste, foi importante para informar a população e tirar dúvidas sobre a "divergência de opiniões" entre município e estado em relação ao que se pode abrir nesse momento da pandemia.
Por conta do decreto do governo estadual, a prefeitura terá que alterar o planejamento inicial do município, que pretendia avançar de fase na estratégia prevendo a retomada das atividades a cada 15 dias. No entanto, é provável que novos setores possam retomar, segundo Crivella.
"É possível [autorizar a reabertura] de algumas atividades. Por exemplo, os shoppings. Com controle que nós temos, sim. Nós temos parâmetros para permitir que eles abram. Precisamos submeter ao Conselho Científico e ao Conselho de Crise para saber se há viabilidade prática para implementa-las", comentou o prefeito.
Shoppings
Para liberar a reabertura dos shoppings da cidade, o prefeito disse que é importante que os estabelecimentos respeitem todas as regras de higiene e distanciamento social.
Crivella afirmou que todos os shoppings deverão controlar o número de pessoas circulando, o número de carros nos estacionamentos, além de garantir a aplicação de álcool gel nas mãos de todos os usuários e obrigar o uso de máscaras de proteção.
"Ninguém quer voltar ao período onde tínhamos 300 óbitos por dia. Nossa média histórica é de 180 óbitos. Por isso é importante ter prudência", disse o prefeito.
Metodologia
O prefeito Crivella também explicou que o Conselho Científico do Município vem analisando dados da pandemia para fazer suas avaliações e determinar cada etapa da flexibilização das medidas de isolamento social no Rio.
Segundo o prefeito, as decisões só são tomadas quando surge um consenso entre todos os membros do conselho. Para garantir uma escolha segura, o grupo considera os seguintes indicadores:
redução gradativa de pacientes procurando as clinicas de atenção básica de saúde
número de óbitos por covid-19,
fila de pessoas que aguardam internação
número de leitos disponíveis na rede de saúde.
"Esses números têm nos motivado a decidirmos pelo início das atividades econômica, com protocolos para cada uma das fases subsequentes. Nós estamos sempre avaliando para ver se continuamos o processo de reabertura ou se voltamos com as medidas de isolamento", disse.
Na sexta-feira, o Estado do Rio contabilizou um total de 6.473 mortes e 63.066 casos de Covid-19.
Fonte: G1