Mais um ícone do Rio de Janeiro faz uma vaquinha virtual para não fechar as portas. O tradicional bar Bip Bip informa que não tem reservas para sequer os próximos 30 dias e pede ajuda de amigos e frequentadores.
Amigos do Bip Bip doaram livros, CD’s, camisas, entre outros, que servirão de prêmios para quem doar. O que arrecadar servirá para pagar as contas de manutenção e ainda manter os projetos sociais do bar, entre eles, a distribuição de cestas básicas para as comunidades do Cantagalo/Pavão/Pavãozinho.
Confira a nota do Bip Bip
Bip Bip, “um bar a serviço da amizade”, como o querido Alfredinho o apresentava, precisa de seus amigos para não desaparecer.
Fechado desde março, por causa da pandemia, nosso pequeno botequim, altar da melhor música brasileira, em Copacabana, conseguiu pagar suas despesas fixas mensais, até aqui, graças à compra de cerveja antecipadamente ou para entrega em domicílio por muitos de seus frequentadores.
Agora, o estoque acabou, e não há caixa para o reabastecimento. E, ainda que houvesse, não existe estrutura nem segurança para a entrega.
Toda a ajuda que o bar sempre deu a projetos sociais foi mantida desde a morte do Alfredinho, em março do ano passado - inclusive, e principalmente, nestes dias tão tristes e difíceis.
O Bip Bip ajuda, mensalmente - porque assim queria o Alfredinho -, os Médicos Sem Fronteiras, a Fundação Abrinq, a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), uma cooperativa de pintores com a boca e os pés, a Associação Brasileira dos Portadores de Hepatite (APBH), o Fundo Cristão de Solidariedade, a Pastoral do Menor e também distribui cestas básicas a algumas famílias do Cantagalo/Pavão-Pavãozinho e ampara amigos músicos no aperto, por doença ou penúria, cujos nomes ele, Alfredo, na sua compaixão, não permitia revelar.
Somadas essas despesas aos custos de operação do botequim (luz, água, condomínio, reposição de estoque, impostos, contador), o Bip Bip precisa, todo mês, de cerca R$ 12 mil para existir.
E não há reserva sequer para os próximos 30 dias.
O bar, como se sabe, não tem fins lucrativos. Jamais teve, desde que Afredinho o assumiu, em 1984.
Por isso, esse pedido público de socorro. Pela necessidade de manter o Bip Bip vivo.
Elaboramos um projeto de financiamento coletivo para que nosso querido botequim consiga se manter, pelo menos, por cinco meses. Esse prazo considera a certeza de que, mesmo quando for possível reabrir o Bip Bip, não poderemos ter nossas rodas de samba, choro e bossa nova. A aglomeração seria inevitável, e não haveria sequer segurança para os músicos - que, não custa lembrar, tocam de graça.
Para isso, nossa meta é arrecadar R$ 68 mil, já incluídos impostos e taxas administrativas.
Qualquer valor arrecadado além do necessário para o funcionamento do botequim será destinado, integralmente, aos projetos sociais.
Cada colaborador vai receber uma lembrança de seu gesto de solidariedade com o bar que amamos. Mesmo que apenas lúdica.
Amigos do Bip Bip doaram recompensas, como livros, CD’s, camisas, petiscos de outros botecos irmãos – ou mesmo prêmios sem valor material, mas que refletem a alma generosa do nosso botequim tão único.
O Bip Bip vai resistir. Logo estaremos de volta àqueles 18m².
Enquanto isso, podemos nos encontrar nas rodas virtuais da página do Bip no Instagram. Lá, matamos um pouco a saudade e reafirmamos nosso compromisso com a boa música, a amizade e a solidariedade
Rio de Janeiro, junho de 2020