O Museu da República no Rio de Janeiro recebeu uma coleção histórica: 523 peças religiosas retiradas de terreiros de umbanda e candomblé entre 1889 e 1945. O material, que estava reunido em 77 caixas, ficou com a polícia por mais de 100 anos.
As peças estavam em armários no prédio do antigo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS), no Centro do Rio, onde hoje funciona a sede da Polícia Civil.
São instrumentos musicais, bonecos e outros objetos sagrados que foram colocados em um caminhão e levados para o bairro do Catete, onde fica o museu. No local, lideranças religiosas esperavam a chegada do caminhão com o material.
A Constituição de 1891 definiu que o estado brasileiro é laico e existe a liberdade de religião, mas a repressão usava artigos do Código Penal para confiscar os objetos e prender os religiosos.
"Todas as acusações eram justificadas nesses artigos, que falam de prática ilegal da medicina, espiritismo, magia, ou seja, a religiosidade afro brasileira, era associada a esses estereótipos. E assim criminalizada. As casas de culto e as mães e pais de santo foram tratados como crime", disse a historiadora Maria Helena Versiani.
O Ministério Público Federal participou da negociação para a transferência da coleção. A equipe do Museu da República fará a gestão do acervo. As lideranças religiosas vão ajudar a descobrir a história de cada objeto, um levantamento que nunca foi feito. Depois disso, o objetivo é uma mostra para apresentar o que ficou tanto tempo escondido.
Fonte: G1