Funcionários do Samu estão há três meses sem pagamentos. Com isso, 30% dos médicos, enfermeiros, técnicos e motoristas estão sem trabalhar e faltam profissionais para cobrir todos os plantões.
E além do atraso nos salários, os profissionais também têm de lidar com ambulâncias sem conservação nos atendimentos de emergência no estado. São veículos com parafusos soltos, saindo fumaça do motor ou sem bateria.
O número de ambulâncias em circulação também diminuiu, segundo a Associação dos Trabalhadores do Samu. Antes eram 82 ambulâncias para fazer os atendimentos na capital. Atualmente, são 42.
"Sou médica, comecei a trabalhar no Rio de Janeiro em março desse ano, no período crítico da pandemia. E desde então eles só honraram com um mês de pagamento. A empresa não dá a menor satisfação para os funcionários", disse a médica.
A OZZ Saúde foi contratada emergencialmente pelo estado para administrar o Samu por seis meses. Depois das denúncias de irregularidades no contrato a Justiça bloqueou os repasses do estado para a empresa.
Uma decisão da Justiça do Trabalho determinou o pagamento dos salários dos funcionários. Mas mesmo assim eles ainda não receberam. O vice-presidente da Associação do Samu Jorge Teixeira reclama da situação.
"Depois de várias audiências. chegaram a um acordo no TRT, entre a secretaria e a OZZ de pagar ao menos esses profissionais. Porém, a Procuradoria Geral do Estado entrou com um embargo desse repasse e hoje a maioria está sem recurso para ir trabalhar", disse Teixeira.
Na prática, segundo o Sindicato dos Médicos, pode haver uma desassistência à população. O presidente do sindicato Alexandre Telles alerta:
"A gente sabe que são atendimentos que demandam urgência. A ambulância tem de chegar ali rápido, tem de chegar com estrutura, tem de chegar com remédios, tem de chegar com os profissionais. Com esse desmonte, com essa falta de manutenção, falta de insumos, falta de salários a população do Rio de Janeiro fica seriamente comprometida", disse Telles.
A Secretaria Estadual de Saúde disse que está fazendo uma auditoria no contrato com a OZZ Saúde. E que há a decisão recente da Justiça do Trabalho para o pagamento dos salários, mas que cabe à Procuradoria Geral do Estado avaliar o que fazer agora.
A secretaria disse também que a OZZ Saúde teve tempo para solucionar os problemas de manutenção nas ambulâncias. E afirma que cedeu seis ambulâncias novas para a operação do Samu.
Fonte: G1