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  • A origem curiosa das palavras: Amélia

    Márcio Bueno em 26 de Julho de 2021    Informar erro
    O termo é definido como 'mulher que aceita toda sorte de privações e/ou vexames sem reclamar, por amor a seu homem'. A origem é o samba Ai, que saudades da Amélia, música de Ataulfo Alves e letra de Mário Lago, sucesso estrondoso do carnaval de 1942 e uma das músicas mais gravadas do país.
     
    Em 1953, Mário Lago deu uma entrevista dizendo que a tal Amélia tinha sido lavadeira da cantora Araci de Almeida e que ele nem a tinha conhecido. O irmão da cantora, o baterista Almeidinha, é que vivia, nos estúdios de gravação, enaltecendo sua simplicidade e comentando que ela fazia tudo por amor a seu homem e que aquilo, sim, é que era mulher, o que teria inspirado o autor.
     
    Na composição, Mário Lago começa falando da companheira do momento, que só pensa em luxo e riqueza, e a contrapõe à ex-mulher, Amélia, que não tinha a menor vaidade. A letra poderia ser entendida como uma exaltação ao amor verdadeiro, desinteressado.
     
    Mas na leitura de uma parcela das feministas não passou de um hino à submissão feminina, o que evidentemente desagradou o autor, famoso, não apenas como artista, mas também como militante político de esquerda.
     
    Para saber quem tem razão basta analisar a letra completa da música que, apesar da enorme polêmica que desencadeou, é muito curta:
     "Nunca vi fazer tanta exigência / Nem fazer o que você me faz / Você não sabe o que é consciência / Nem vê que eu sou um pobre rapaz / Você só pensa em luxo e riqueza  / Tudo o que você vê, você quer / Ai, meu Deus, que saudade da Amélia / Aquilo sim é que era mulher  //  Às vezes passava fome ao meu lado / E achava bonito não ter o que comer / Quando me via contrariado / Dizia: 'Meu filho, o que se há de fazer!' / Amélia não tinha a menor vaidade / Amélia é que era mulher de verdade".
     
    Na década de 1980, uma revista descobriu Amélia dos Santos Ferreira, que tinha trabalhado muito tempo como empregada doméstica de Araci de Almeida e que passou a ser considerada a musa inspiradora. Mas nem o autor nem ela própria nunca tiveram condições de assegurar que se tratava realmente da Amélia de quem falava Almeidinha.

     

     
    Extraído do livro A Origem Curiosas das Palavras, do jornalista Márcio Bueno. Publicado pela editora José Olympio, teve seis edições esgotadas, pode ser encontrado no site Estante Virtual

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