No período colonial no Brasil, o saneamento básico era praticamente inexistente, especialmente nas áreas urbanas.
A maioria das cidades não possuía sistemas de coleta de esgoto ou tratamento de água, o que resultava em condições precárias de higiene e saúde pública.
Quanto ao descarte de fezes humanas, as práticas variavam. Nas áreas urbanas, muitas casas não possuíam banheiros internos, então as pessoas utilizavam privadas rudimentares, que consistiam em buracos no chão, geralmente localizados nos quintais. As fezes eram depositadas diretamente nesses buracos ou em fossas, sem qualquer tipo de tratamento.
Nas áreas rurais, as práticas eram ainda mais simples. As pessoas geralmente faziam suas necessidades ao ar livre, em lugares afastados das habitações. Essa prática, além de insalubre, contribuía para a contaminação do solo e da água, causando doenças.
É importante ressaltar que, devido à falta de saneamento básico, as condições de saúde no período colonial eram muito precárias. Doenças como cólera, febre tifoide e disenteria eram comuns e podiam se espalhar facilmente, especialmente nas cidades mais populosas.
Foi somente no Império que as condições sanitárias do Rio de Janeiro começaram a mudar. Em 1864, a Cidade foi a segunda do mundo, como Capital (depois de Londres), a possuir serviços de esgotos sanitários e pluviais que viriam a se constituir em uma das mais importantes obras públicas realizadas no reinado de D. Pedro II.
Decidido a construir esses serviços que eram reclamados com veemência há longo tempo, por autoridades sanitárias e pela própria opinião pública, o Imperador D. Pedro II mandou estudar o projeto na Inglaterra.
A Lei 719/1853 autorizou o Governo a contratar os serviços com John Frederic Russel e seu sócio, Joaquim Pereira Vianna de Lima Júnior, para fazer “o serviço da limpeza das casas e do esgoto das águas pluviais”, com prazo de duração de 90 anos.
A área a esgotar foi dividida em três Distritos, o da Glória (3º), o da Gamboa (2º) e o do Arsenal (1º). Como o local escolhido para o 3.0 Distrito, o da Glória, onde hoje se encontra a sede da SEAERJ, ainda não existia, em fins de 1863, o Rei autorizou aterrar o mar, para “criar” o terreno necessário às obras projetadas em frente ao Outeiro da Glória.
Foi no Distrito da Glória que as obras começaram, sendo construído, entre outros, um prédio de 2 pavimentos, em alvenaria de pedra, que tinha uma “Casa de Machinas” no térreo e uma “Estação de Tratamento”, no 2º pavimento.
O esgoto era tratado e levado mar adentro por barcos. Foi um melhoramento que colocou o Rio entre as cidades mais importantes do mundo.
A “Casa de Machinas" e a “Estação de Tratamento” da Glória atendiam a uma área de 158 Ha que abrangia Laranjeiras, Silvestre, Santa Tereza, Glória, Flamengo e Catete, acrescidos de parte da zona da Lapa, Praia de Santa Luzia e arredores, até as ruas Senador Dantas, Evaristo da Veiga, Francisco Belizário e Costa Barros.
A “Casa de Machinas” foi equipada com 2 máquinas a vapor, uma de 20 Hp e a outra, de 8 Hp, com capacidade conjunta para recalcar 102 m³/h.
A caldeira foi trazida para o Brasil na mesma época que as bombas, mas não há informações disponíveis sobre seu fabricante e suas características mecânicas.
O equipamento foi montado em sólida base de concreto, num recinto que media 5,40m x 17,94 m, onde funcionou durante 47 anos, até 1911, quando o Governo determinou que as máquinas a vapor fossem substituídas por. bombas, acionadas por motores elétricos.
A caldeira a vapor, a chaminé de tiragem dos gases e demais acessórios foram desativados e removidos do Distrito, sendo mantidas apenas as bombas a vapor, fabricadas em 1862, pela firma inglesa James Wan & Co.
Depois de desativada, em 1970, as instalações da Glória foram cedidas à SEAEG, antecessora da SEAERJ. Essas associações de classe fizeram sucessivas obras de ampliações e melhorias, a fim de atender às crescentes necessidades dos serviços a serem prestados a seus associados.
A construção resiste até hoje com sua característica britânica, apesar de bastante pichada. Com a pandemia as atividades da SEAERJ estão interrompidas. Em tempos normais é possível alugar a “Casa de Machinas” para eventos e comemorações.
Fonte: SEAERJ - Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio de Janeiro