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  • Augusto Severo, o brasileiro concorrente de Santos Dumont na conquista do céu teve fim trágico

    Da Redação em 20 de Julho de 2021    Informar erro
    Quando falamos na conquista do céu a partir do final do século XIX, imediatamente nos remetemos aos feitos de Alberto Santos Dumont, tido como o "pai da aviação".
     
    Poucos sabem que outro brasileiro, Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, teve participação importante na arte de voar. Ele foi apontado como o maior concorrente brasileiro de Alberto Santos-Dumont na busca pela dirigibilidade aérea.
     
    Nascido no Rio Grande do Norte, em 1864, oitavo de uma família de 14 filhos, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1880.
     
    Ainda no Império, iniciou seus estudos de engenharia na Escola Politécnica e passou a se interessar pelo voo, realizando observação de aves planadoras e construindo pequenos modelos de pipas, uma das quais denominou Albatroz. 
     
    Depois de trabalhar no comércio, Augusto Severo entrou para a política e acabou eleito deputado Constituinte em 1893. Mas seu desejo de conquistar o ceu se manteve.
     
    Severo conseguiu do Governo um auxílio pecuniário para construir na Europa um aeróstato dirigível de sua invenção. O invólucro foi encomendado à Casa Lachambre, a principal firma de Paris especializada na construção de balões e, de propriedade de Henri Lachambre. 
     
    Enquanto isso, Augusto Severo pediu patente para um “turbo-motor com expansões múltiplas e continuadas”. Segundo o livro, Os Balões de Augusto Severo, de Rodrigo Moura Visoni (Editora Tamanduá Arte), ele foi o único inventor brasileiro a testar um dirigível no País - o Bartholomeu de Gusmão, em 1894, no Rio. 
     
    Em 27 de julho de 1899, no Rio de Janeiro, Severo patenteou um novo balão dirigível, o Paz (posteriormente o nome foi latinizado para "Pax"), e em 23 de julho de 1901, uma "máquina a vapor rotativa e reversível", com a qual os navios poderiam atingir velocidades maiores.

    Em fins de 1901, Severo licenciou-se da Câmara para viajar para a França e aí se dedicar à construção de um novo semirrígido, o Pax, inflado a hidrogênio.
     
    Ele queria concorrer ao Prêmio Deutsch, que premiaria com 100.000 francos aquele que fizesse um voo comprovadamente dirigido com duração de até meia hora num percurso de 11 km sem escalas, partindo e voltando ao mesmo ponto e contornando a Torre Eiffel no meio do percurso.
     
    O novo aparelho não tinha leme de direção e usava ao todo sete hélices: uma na popa, outra na proa, outra na barquinha e quatro laterais.
     
    Severo pretendia usar motores elétricos, mas a falta de recursos e de tempo fez com que ele optasse por dois motores a petróleo tipo Buchet, um com 24 cv e o outro com 16 cv. O invólucro tinha a capacidade de 2.500m3, com 30 m de comprimento e 12 no maior diâmetro. Os ensaios foram realizados nos dias 4 e 7 de maio de 1902, com sucesso.

    No dia 12 de maio de 1902, tendo como mecânico de bordo o francês Georges Saché, o Pax decolou às 5h30, saindo da estação de Vaugirard, Paris. Elevou-se rapidamente, atingindo cerca de 400 m. Cerca de dez minutos após o início do voo, o Pax explodiu violentamente, projetando os dois tripulantes para o solo. Severo e Saché morreram na queda e os restos do dirigível caíram na Avenida du Maine. 
     
    Um ano antes, em 19 de outubro de 1901, Santos-Dumont havia completado sua prova do Prêmio Deutsch em meio a uma grande polêmica, causada pela falta de definição prévia do momento em que começava e terminava a prova. Após um debate que mobilizou os franceses, em 4 de novembro de 1901, por 13 votos a favor, 9 contra e 2 em branco, o Aeroclube da França decidiu dar o prêmio a Santos-Dumont, que ganhou fama mundial e entrou para a história.
     
    Ainda assim, a configuração proposta por Severo, de um dirigível semirrígido, foi revolucionária e influenciou o desenvolvimento dos dirigíveis nas décadas seguintes.
     
    O enterro de Augusto Severo aconteceu no dia 18 de junho de 1902 com honras militares no Cemitério São João Batista, no Rio, onde 30 anos depois também seria sepultado o corpo de Santos-Dumont.
     
    Seu nome batiza o aeroporto de Natal, um dos aviões da Presidência da República brasileira, além de escolas, ruas e até a avenida em frente à Praça Paris, no Rio de Janeiro.
     
    Fonte: Wikipedia e Biblioteca Nacional
     
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