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  • Migração espanhola ao Brasil chegou a meio milhão de pessoas no início do século XX

    Da Redação em 08 de Março de 2021    Informar erro
    A imigração espanhola com destino ao Rio de Janeiro aconteceu de forma mais expressiva do final de 1890 a 1940. Foi constante, embora menor, se comparada com o número de portugueses e italianos que chegaram na mesma época. Os espanhóis vinham das regiões mais pobres do país, como Galícia e Andaluzia. Não se sabe ao certo quantos eram, mas, no Brasil, estima-se que somavam cerca de meio milhão de pessoas.
     
    A emigração se devia à pobreza no meio rural e, a partir de 1930, também à destruição e às dificuldades trazidas pela Guerra Civil Espanhola.
     
    Em fins do século XIX, com o desenvolvimento da tecnologia naval, milhares de pessoas saíram da Europa em busca de melhores condições de vida nas Américas. No caso da Espanha, a imensa maioria rumava para suas colônias ou ex-colônias, pelos laços históricos e culturais que mantinham e, por esse fato, os destinos preferidos dos imigrantes espanhóis eram a Argentina e Cuba. Entre 1882 e 1930, 3 297 312 espanhóis emigraram, dos quais 1 593 622 para a Argentina e 1 118 968 para Cuba. Para o Brasil imigraram 567.176 espanhóis no mesmo período.
     
    Na virada do século XIX para o XX, os espanhóis, como todos os imigrantes que chegavam ao porto do Rio de Janeiro, eram registrados pela Agência Central de Imigração e encaminhados para a hospedaria da Ilha das Flores, com o objetivo de se restabelecerem da longa travessia do Atlântico. 
     
    Os “braceros”, como eram chamados, se fixaram principalmente nas áreas centrais da cidade, incluindo a zona portuária. Disputavam ofertas de empregos menos qualificados e espaços de moradia disponíveis com os segmentos mais pobres da população local, sobretudo mestiços e negros. Encontravam trabalho como estivadores, ensacadores de café, em bares, pensões ou comércio ambulante. A expressão “galego” servia para se referir a pessoas vindas da Península Ibérica, tanto de Portugal como da Espanha.
     
    Movimento operário
    Os espanhóis eram, em geral, mal remunerados, com jornadas de trabalho de até 16 horas. Moravam em habitações coletivas – os populares cortiços – que escaparam da demolição com o plano de remodelação e saneamento da cidade.
     
    Conseguiam algum auxílio médico, financeiro e jurídico junto às Caixas de Socorro Mútuo, entidades particulares mantidas por imigrantes mais prósperos, que, provavelmente, deram origem às primeiras organizações de trabalhadores. O imigrante espanhol teve ativa participação no movimento operário dos maiores centros urbanos brasileiros, sendo rotulado de anarquista, no início do século XX. Eles se reuniam em associações, como o Centro Cosmopolita (setor de hotelaria) ou a União dos Empregados de Padaria.
     
    No entanto, é certo também que parte da comunidade não queria se envolver com questões políticas. A organização se baseava em laços de parentesco. Os primeiros empregos eram indicações de patrícios e, quando o imigrante melhorava suas economias, comprava um pequeno negócio, contratando, por sua vez, conterrâneos.
     
    Muitos deles eram comerciários e garçons. Em geral, quem conseguia prosperar economicamente não queria confusão. As manifestações em busca de melhores condições de trabalho eram duramente reprimidas pela polícia.
     
    Mas havia aqueles que se tornavam líderes sindicais, ativistas anarquistas e assalariados que se uniam às associações de sua classe para melhorar as próprias condições de vida. Tanto foi assim que o Centro Galego, um local de reunião e confraternização, situado na Rua da Constituição, cedeu suas instalações para celebrar o Primeiro Congresso Operário Brasileiro, em 1906, reunindo, pela primeira vez, trabalhadores de todo o Brasil.

    Na greve geral de 1917, diversos espanhóis do setor mais importante do operariado carioca – o têxtil –estiveram envolvidos. Em uma fábrica de tecido, no bairro da Gávea, foram presos 78 anarquistas, entre eles vários espanhóis, suspeitos de utilizarem bombas e armas nas manifestações.
     
    Nas greves que aconteceram no Rio em 1920, os trabalhadores reivindicavam melhores condições de trabalho. Era o caso dos cozinheiros do Centro Cosmopolita em 1912, que queriam a redução da jornada de trabalho para 12 horas e o descanso semanal.
     
    No início do século XX, pertencer a determinados sindicatos era um “convite” para regressar ao país de origem. Foi em grande parte graças à coragem e às ideias trazidas ao Brasil pelos imigrantes galegos que a jornada do trabalhador brasileiro tornou-se menos árdua.
     
    O fato é que a comunidade espanhola seguiu vivendo no Rio de Janeiro e sua contribuição cultural permanece aqui no século XXI. De acordo com Mônica Mosquera, diretora da Casa de España, hoje são 6 mil espanhóis vivendo no Rio de Janeiro (dados do Consulado Espanhol), e a maioria deles se dedica ao comércio.
     
    Texto: Larissa Altoé/Multirio e Wikipedia
     
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